a culpa é da estrada

Acho que foi da Fabi Marsaro que li isso uma vez – a culpa desse nosso questionamento existencialista é do tempo de commuting, essa viagem rotineira para ir e voltar dos locais onde devemos ir. Eu não sei do trajeto da Fabi, mas posso garantir que jamais demorei menos do que 30 minutos entre sair de casa e chegar a qualquer local onde deveria estar – ginásio, colégio, cursinho, faculdade, trabalho. E quem precisa mesmo de análise quando tem 1h por dia de tempo de deslocamento entre um local e outro pra pensar na vida, não é?

Hoje, minha terapia estradeira se resume a uma vez por semana, mas talvez seja ela que faça toda a diferença. Entre uma música e outra, uma acelerada e uma freadinha pra não ser pega no radar, fiquei me perguntando porque raios parece estar cada vez mais difícil ser você mesmo. Tem sido cada dia mais complicado conseguir colocar em prática o que se acredita, manter a fé, a esperança e o ânimo. Porque será que mesmo sabendo o que precisaríamos fazer para sermos felizes, não conseguimos?

Fica esse impasse entre agir de acordo com os próprios princípios e acabar afastando pessoas ou manter pessoas perto e acabar sacrificando algumas das suas principais convicções. “Ah, Jacque, mas você é mesmo muito burra. Tem sempre o caminho do meio!” Então vai lá, espertalhão, e faz-favor de tentar viver o caminho do meio pra ver se dá. Vou estar de olho pra quando você der os pés pelas mãos e descobrir que não é tão fácil assim.

Além disso, rola ainda o problema de, caso se escolha abdicar de alguns princípios ou crenças em prol de boas companhias, de repente se descobrir o mais solitário da matilha. É, sabe daquelas sensações de estar no meio de um show com milhares de pessoas e se sentir completamente só? Poizé, amigão, como faz quando você deixou para trás coisas importantes para não ficar só e daí se percebe completamente solitário, ainda que repleto de amigos fisicamente em volta de você?

Na dúvida, eu fui lá ler alguns dos conselhos do Dalai Lama. Sacomé, pessoas iluminadas e positivas como ele podem ter algo de bom pra dizer, um bom conselho para dar. “Seja a mudança que você quer ver no mundo”, diz o seu Dalai. Ele só esqueceu de dizer que quem quer fazer mudança também tem que carregar caixa.

Pensou que era fácil? Dalai disse que sabia o que precisava ser feito, mas em momento algum disse que ia ser fácil, gostoso ou rápido. Se você quer ser a mudança, se prepare pras cacetadas. E pra carregar muita caixa.

Daí a gente lembra de Zé Geraldo e realmente se sente mais velha que o velho pai.

Mas não tem problema não. Jamais será por medo de carregar caixas e tomar cacetadas que a gente vai desistir. ‘chi la dura la vince’, amiguës, estamos aí pra ficar de pé até o último segundo, sempre no caminho da resiliência.

Não tenho nenhuma resposta, mas se eu já parei pra perguntar, parece que uma parte do caminho já foi andada.

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