Nem copo cheio, nem copo vazio: Xavantevê e Canalia

Sabe aquela velha história de olhar para um copo pela metade e tentar dizer se ele está meio cheio ou meio vazio? Pois bem, o Marcel do Cadê meu Dorflex resume bem a brincadeira: esquece o copo. O que importa não é se ele está meio cheio ou meio vazio, mas sim o que você vai fazer a respeito disso.

Daí você pode vir ouvir a lenga-lenga de que a faculdade não oferece meios para os alunos se desenvolverem, ou você pode falar que o mercado não oferece a primeira experiência para os estudantes, ou pode reclamar que só o pessoal de exatas/biológicas tem chances de estágios concomitantes aos estudos ou… ou você pode levantar e fazer algo a respeito. Pois bem, o pessoal do Instituto de Artes da Unicamp, o famoso IA, resolveu também ‘esquecer o copo’ e fazer alguma coisa a respeito.

Sendo um dos institutos com o menor espaço físico do campus da Unicamp (rola aquele velho boato de que o IA era para ser no espaço do IMECC, que tem salas com isolamento acústico… pro pessoal da Estatística e da Computação estudar, não faz todo o sentido?) com pouco equipamento à disposição e ambientes male-male arranjados para possibilitar o mínimo, a galera resolveu parar de simplesmente reclamar e começar a fazer alguma coisa, ainda que de forma bem capenga, e criaram dois coletivos de produção de texto e de audiovisual, o Xavante (e seu desdobramento Xavantevê) e o Canalia.

A premissa é bem básica: grupo de estudantes se articula para fazer o que achar mais legal. No Canalia (que era para ser Canal IA, mas né, o trocadilho ficou muito mais legal!), os vídeos são de quase qualquer coisa. Alguém acaba incorporando essa personalidade mais ‘canalha’ e pronto, seja lá o que for, tá valendo.

A idéia surgiu do Centro Acadêmico do IA, e ganha cada vez ares mais divertidos. Além de mostrar para quem quiser ver o que os alunos são capazes de produzir, cada novo vídeo é uma experiência para todos os participantes.  Tive a oportunidade de acompanhar as gravações de um dos futuros programas do Canalia, o Patifaria, que é mediado por uma entidade também bem canalhinha, a Pati Faria :) Dona Pati, entidade que é, pode ser menino ou menina, tanto faz – quem estiver disposto e disponível entra na roda e media debates sobre questões que o grupo julgue relevante. A gravação que assisti tratava dos direitos autorais, a encrenca do Ministério da Cultura e o uso de Creative Commons. Bem sério para quem pensou que o Canalia seria só um grande aglomerado de coberturas de festas da universidade.

Já o Xavante é um outro coletivo, que começou no IA como um jornal periódico para tratar de artes e comunicação, mas acabou ganhando um ar de ‘somos do campus inteiro’ e também um desdobramento audio-visual, o Xavantevê. Como grande parte das coisas no Brasil, começa com uma brincadeira, um ar leve, e com o tempo vai ganhando um tom mais sério, ainda que informal.

O jornal “Ô, Xavante!” já está na sua 4a edição, que além da versão web também tem uma pequena tiragem impressa, que atende à Unicamp, Barão Geraldo e partes de Campinas, mas quem não consegue colocar as mãos no papel pode acompanhar tudo através da web, seja no site ou no tumblr.

Ambas as iniciativas não são nem um pouco bobas ou retrógradas e já estão circulando na rede, seja via Tumblr (o Xavante tem um), YouTube para a postagem dos vídeos, Facebook para espalhar a produção entre os interessados, Twitter e o que mais tiver no caminho.

Eu não sei vocês, mas eu bato palmas de pé para a iniciativa e movimentação dos alunos.
Porque não interessa o que oferecem ou não para você, mas sim o que você vai fazer com o que sobrar.

São nessas horas que eu me orgulho – e muito – de ter estudado junto com uma galera como essa.

Canalia
canalia.tv.br

Reuniões todas as terças às 12h na sala MM03 do IA

Também dá pra acompanhar via Facebook na página do Canalia

Xavante
xavante.art.br
e tem também o tumblr muralxavante.tumblr.com

Reuniões todas as segundas às 12h no Ateliê da Plásticas

E também tem página do Facebook pro Xavantevê

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