Nem puxar nem empurrar

Demorei anos para entender algo ridículo de simples: você não pode ‘puxar’ alguém para dentro da sua vida, tanto quanto não pode ‘expulsar’ ninguém.

As pessoas vão e vem como querem, se querem e quando querem.

Quando eu tinha metade da idade que tenho hoje, tentei ‘puxar’ uma amiguinha para dentro da minha vida. Ela seria a resolução de todos os meus problemas de falta de popularidade na escola – sabe como é, você só entra na turma se alguém disser que você entrou, e eu tinha CERTEZA de que podia comprar aquela menina para fazer isso por mim.

Gastei os tubos da minha pobre mesadinha comprando coisinhas bobas de meninas de 12 anos, coisas que EU adoraria ter… para dar para a dita cuja. Como já é de se esperar, não deu certo. Perdi o dinheiro, não ganhei a amiga e me considerei uma fracassada. Lição numero 1 foi aprendida, meio que aos trancos e barrancos: você não pode puxar ninguém para a sua vida. Muito menos comprar. (Okay, comprar às vezes até pode, dependendo da pessoa, mas não é lá um método eficiente, e você certamente não ‘puxa’ a pessoa para a sua vida, mas a mantém ali, na coleira financeira, ao seu lado)

Daí também existem as pessoas que estão a sua volta por algum motivo não explicitado e que você não tem nada contra, até que elas comecem a incomodar. Tipo, sei lá, aquele amigo que de repente virou um depressivo do tipo chato e irritante. Porque dá pra conviver com a depressão de um amigo, mas não dá pra viver com o seu amigo depressivo do tipo chato e irritante.

Vai por mim, não adianta tentar: esse ser só vai ‘sair’ da sua vida quando ele achar que deve. Você vai falar impropérios, dizer coisas que não precisa, dizer coisas que precisam ser ditas, e ainda assim… ele estará por ali.

Eu tenho um amigo que jurava que, enfim, quando o colégio terminasse, eu ia parar de importunar a vida dele. Sabe, de palpitar nas escolhas, na rotina, em tudo. Amigo que é amigo palpita! Pois bem. Ele achou que o ritmo de trabalho e cursinho e sei lá mais o quê que fazíamos na época ia fazer com que eu cansasse de ir até ele para palpitar. Mas não funcionou: eu tirava tardes de sábado inteiras só para ir buzinar na idéia dele.

Lógico que depois eu também cansei, como todo mundo nessa vida. E diminui drasticamente os palpites que dou na vida dele. Porque né? Já estava na hora de eu sair (ao menos um pouco) da vida dele.

Ai acontece que um dia você acorda com essa epifania: não dá pra puxar ou expulsar pessoas da sua vida.

Umas vão mais rápido e fácil, outras demoram mais e levam tempo. Umas vem para a sua vida com uma vontade enorme de vir, outras vem de mansinho, outras não estão nem ai e mostram a língua para você.

Funciona com parentes, amigos, namorados, peguetes, ficantes, admiradores e admirados.

Não dá pra puxar, e nem pra empurrar. Simples assim. E tão difícil quanto parece.

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