Gambiarras, consertinhos e pequenos reparos

Tem quem ache que gambiarreiro nasceu assim, já com as ideias na cabeça e o talento para consertar sem ter, necessariamente, os materiais adequados. Ou quem acredite que gambiarra é um estado de espírito, típico daquele dia em que você acordou inspirado para resolver aquele problema com um chiclete e um clipes.

Quem não tem colírio, usa óculos escuro. E quem não tem haste, faz gambiarra!

Só que eu acho que pra ser gambiarreiro mesmo, é preciso prática e raciocínio. Não é sair pegando cola, martelo e prego e consertar todos os pequenos probleminhas da sua casa, mas saber exatamente quais coisas não jogar fora, e o que guardar para aproveitar em uma gambiarra futura. Nunca se sabe quando aquele pininho, ou aquele monte de clipes velhos, ou até aquela cavilha do seu armário velho poderão servir bem para um novo propósito.

Meu avô era gambiarreiro, e minha mãe também é, mas eu não acho que o dom para consertinhos e pequenos reparos sem equipamentos adequados seja genético, mas a verdade é que a convivência é uma coisa perniciosa – minha ascendência sempre soube guardar tudo o que não precisava, até que alguém era obrigado a admitir que aquele ‘lixo’ de ontem estava sendo muito útil hoje. Eu mesma fui forçada a admitir isso algumas vezes.

Com a chegada da faculdade, e a vivência em uma república, acabei descobrindo que aprendi um pouco da técnica de detecção de potenciais gambiarras. Fiz mesa de ex-portas de armário e uma cadeira de plástico quebrada, usei corda de violão e clips pra fazer um varal de fotos, e uma sorte de outros pequenos consertos e reparozinhos em diversas partes da casa. Desde então, tenho a minha própria caixinha de gambiarras, onde coleciono objetos que ninguém dá valor, mas que eu sei que poderão ser úteis em um futuro não muito distante.

Adaptações de acordo com a necessidade do freguês =P

Outro dia mesmo eu acordei já gambiarrando – descobri que dava para aproveitar algumas marcações do meu armário para a inserção de uma nova e muito necessária prateleira. Porém me faltavam cavilhas – não que eu soubesse esse nome dos pininhos de madeira que sustentam prateleiras e outras coisas mais, mas sabia que na caixa sênior de gambiarras da minha mãe teria algo assim.

E foi lá mesmo que encontramos a herança do Gambiarreiro Mor da família. Em uma velhíssima caixinha de metal, onde provavelmente antigamente se guardavam cigarros, várias cavilhas, de diversos tamanhos e formatos, esperando para serem utilizadas.

Devo admitir que os guardados do meu avô serviram para um futuro muito mais distante do que ele imaginava, mas fez aqui uma neta muito feliz com a sua prateleira funcional.

Gambiarra não é genético. Gambiarra não é estado de espírito. Gambiarra é prática e raciocínio. Quem quiser aprender precisa começar. Já fez algum consertinho com materiais inusitados hoje? =)

(in memorian dos tempos de república)

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