“O segredo é disfarçar, mas nunca desistir”

O chavão que dá título a esse post eu conheci por intermédio de uma grande amiga, a qual conheço desde os meus longínguos quatro anos. Desde a pré-escola, a gente vem tendo planos de conquistar o mundo. Lógico que é verdade que parte dos planos acaba como todas as noites de Pink e Cérebro, mas a gente tem aí o nossso punhado de méritos.

A nossa vantagem é essa persistência quase teimosa de disfarçar e não desistir.  Também pudera: fazemos parte da geração que hoje é conhecida como Y, na qual tudo muda com uma velocidade muito grande. Descobrimos que os caminhos tradicionais não nos levariam ao lugar que queremos chegar, e decidimos tomar nosso rumo cada um de uma forma diferente.

São novos tempos, onde cargos e funções tem mais a ver com um perfil profissional do que com uma formação específica. Sabendo disso, procuramos desenvolver o que julgamos ser nossos talentos da maneira que achamos mais viáveis. O difícil nessa história é convencer os pais que ir fazer faculdade de cinema no sul do país pode ser uma boa. Ou que aquele curso novo e bizarro que acaba de sair do forno e nem tem turma formada ainda é a opção que parece mais acertada para sua formação.

Além de convencer a família, ainda tem o malabarismo para se apresentar nos locais onde buscamos colocação – a coisa fica ainda mais tensa quando se trata de uma empresa tradicional. “Oi, meu curso não é nada do que você esperava mas eu posso fazer um bom trabalho com você” é o tipo de frase cara de pau que temos coragem de dizer. Estamos arriscando alto? Possivelmente. Mas no fundo sabemos que as relações de trabalho estão mudando, e mais valem nossas habilidades e capacidades desenvolvidas em horas de autodidatismo e tentativa-e-erro fora dos muros da faculdade do que apenas um CR enorme no currículo de um curso de ensino superior já consolidado.

Mas não pense que sabemos de tudo e estamos nos jogando na estrada sem medo de ser feliz. É tão complicado fazer essas escolhas quanto é hoje para gerentes e líderes entenderem nossa geração. “Como lidar com esse pessoal que aposta em coisas que eu não conheço? Como motivá-los, inserí-los dentro das políticas da empresa e explicar a eles que focinho de porco não é tomada?”

A resposta pode ser tão simples como uma canção dos Titãs:  “a gente não quer só dinheiro, a gente quer dinheiro e felicidade“.  Não basta mais uma profissão que é ‘apenas’ bem paga, é preciso motivar. Salvo exceções, a busca dos jovens Y é de um trabalho que dê satisfação e reconhecimento, que seja prazeroso de exercer. A gente tem fome de mais coisas do que só de uma ‘promoção’ ou um cargo mais elevado. Lógico que eles serão sempre bem vindos, mas a gente tem sede de conhecimento, reconhecimento, de qualidade de vida e desafios profissionais. “A gente quer inteiro e não pela metade“. A tríade básica bom-salário-VR-VT já não é suficiente para nos estimular. Queremos ser mais que um mero ‘recurso’ e sermos compreendidos como profissionais que também são pessoas normais, que tem problemas, família e vida social.

E vamos exigir do mercado da mesma forma que ele exige de nós. Buscamos formação e especializações, cursos extra-curriculares, procuramos sempre estar antenados e executar trabalhos de qualidade, mas também queremos oportunidade de crescimento, boa colocação no mercado, recompensas tanto monetária quanto profissionais. Não queremos apenas um trabalho, queremos uma profissão.

E pra conseguir tudo isso, insistimos em tentar, arriscar outra vez e mais outra vez. Às vezes acertamos, noutras damos com a cara no chão. O segredo é disfarçar, mas não desistir.

**Dedicado à Sami, minha amiga corajosa que pula de pontes e se joga na vida. Sem jamais desistir.**

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Uma opinião sobre ““O segredo é disfarçar, mas nunca desistir”

  1. Bom dia Jacqueline,
    Parabéns pelo post, boa sacada.
    Vc está certa, o ambiente de trabalho é de constante mudança e ele é influenciado mais de baixo para cima que o inverso. Isso vale de pessoas para pessoas e de empresas para empresas. Ou seja, Microsoft, IBM, Globo, Mc Donalds, Coca Cola etc sofrem influência maciça das pequenas empresas, pois esta é a tradição humana. Por mais urbano que seja ir ao shopping, nós seres humanos adoramos uma lojinha de rua, um boteco, uma banca de jornal…
    No ambiente de trabalho é igual, quem vem de baixo trás todos os dias tecnologia, novas maneiras de resolver velhos problemas. É claro que os mais jovens lêem menos, mas basta dar-lhes os caminhos certos que o strike acontece. Os cursos mais tradicionais ainda formam pessoas, mas os currículos estão inadequados, já estavam faz 20 anos, hoje então nem se fale. Os menos tradicionais então, nem se fale. O que está salvando a pátria são os cursos interdiciplinares, que atendem bem o que o mercado precisa, com uma qualificação bem elevada. Fico feliz por isso.
    Eu já sou tiozinho, mas todas as vezes que participo de um projeto novo que envolve algo maior eu “volto a ter 20 anos, começando tudo de novo, vou me apanhar sorrindo”. Idealismo que não morre mesmo com as decadências momentâneas ao redor.

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