Março, mês da mulher. Oh, Really?

As pessoas começam a te dar parabéns, você recebe cartões, chocolates e flores. E não é seu aniversário.

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Isso é que tem sido o dia internacional da mulher. Uma comemoração mais comercial do que ideológica, e que por vezes pode ser até mesmo controversa. Imagine você que muitas vezes o homem que entrega flores no dia 8 de março é o mesmo que maltratou a esposa no dia 7; o mesmo empregador que homenageia as funcionárias nesse mesmo dia é também aquele que não dá igualdade salarial para homens e mulheres de mesma função.

Então, para que raios vem servindo o dia da mulher? Pra nada, a não ser alavancar a vendar de flores, chocolates e cartões.

E quer saber? Acho que março poderia ser convertido no mês no qual as mulheres se preocupam consigo mesmas. Toda mulher deveria ser lembrada, no mês da mulher, de marcar seus médicos de rotina, principalmente o ginecologista. Deveriam lembrar de ligar para as amigas, de sair para conversar, de se distrair como um indivíduo, e não como parte de uma instituição – seja ela empresarial ou familiar, já que muitas vezes os casais saem juntos e se divertem juntos, inibindo o espaço da individualidade. Todas as mulheres deveriam ser lembradas de prevenir-se, de cuidar-se, de amar-se como indivíduo, e não apenas cumprir um papel. Deveriam se doar menos e serem mais egoístas.

Porque mulher passa o ano inteiro se preocupando com o trabalho, com a família, com o marido ou namorado, com tudo, menos com ela mesma. Sabe como eu sei disso? Porque eu também sou mulher, e precisei ser convidada a conhecer o Instituto Brasileiro de Combate ao Câncer, em São Paulo, para me lembrar da importância do cuidar de si mesma.

O IBCC é um dos melhores hospitais para tratamento de câncer no Brasil, e inclusive é o autorizado brasileiro a receber as doações feitas a partir da venda de produtos que contém a marca do “Câncer de Mama no Alvo da Moda”. Essa marca foi criada por Ralph Lauren após a morte de sua amiga Nina Hyde, que teve câncer de mama.

Infelizmente não pude comparecer à visita, a rotina me impediu de sair do meu curso. A mesma rotina que impede centenas de milhares de mulheres de lembrarem dos auto-exames mensais, das consultas anuais, dos exames. Esse cotidiano corrido que faz com que seja necessário que se faça campanhas pra lembrar as mulheres do óbvio: de cuidar da própria saúde. Porque rosas não vão cuidar de ninguém.

E nem chocolates ou cartões vão trazer felicidade, ou senso de importância, a não ser que eles venham acompanhados de atitudes, de mudanças de pensamento e de atitudes. Se com cartões as garotas conseguissem pensar de forma menos machista, se com chocolates houvesse igualdade, somente assim eles fariam sentido no dia da Mulher.

Se em março todas as rosas entregues, os chocolates ofertados e  os cartões dedicados fossem convertidos em respeito, em preocupação real e em igualdade, faria muito mais sentido.

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Uma opinião sobre “Março, mês da mulher. Oh, Really?

  1. Ótimo texto! Foca em um ponto muito importante que não comentei em meu post sobre o dia das mulheres.

    Mas, quem melhor do que você, uma mulher, pra falar sobre este dia?

    Parabéns pelos pensamentos e pela sensibilidade.

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