Twitter: mais uma criação que surpreende seu criador

Desenvolvido em 2006 pela mesma turma que criou o Odeo, o Twitter ganhou fama em 2007. O seu objetivo principal era funcionar como uma rede de broadcast do “eu”, onde as pessoas fariam pequenas notas de até 140 caracteres sobre o seu dia-a-dia, os interessados receberiam essas mensagens e, teoricamente, ficariam a par do cotidiano dos seus amigos, mantendo, assim, uma conexão quase que real, cheia de detalhes – mesmo que bobos.
Acontece que, como várias coisas nessa vida, as coisas não são utilizadas apenas com o propósito pelo qual foram criadas, e a comunidade de usuários do Twitter tratou de adaptar a função de broadcasting para uma função de quase “chatting” social. Ou seja, criaram-se formas de interagir por meio das mensagens, com o uso de @ para designar um destinatário de e # para falar sobre um determinado assunto. Assim, em poucos caracteres, se estabeleceram conversas dos mais variados tipos, encontros, discussões… Enfim, uma gama de coisas que resultou de estar no twitter, sem que necessariamente se falasse sobre “o que eu estou fazendo no momento”.
Hoje, o Twitter apresenta uma credibilidade invejável: os links, que se utilizam de ferramentas “encurtadoras” das URL de forma a ocupar menos caracteres, são quase sempre acessados, mesmo que ninguém saiba ao certo aonde um endereço do tipo “http://migre.me/55a” vá levar. Também se consegue notícias em primeira mão, condições climáticas, acompanhar resultados de jogos de futebol e quase o que mais você conseguir imaginar. Nessa nova conjuntura, não se vê mais o Twitter como um serviço de micro-blogging (pequenas postagens, relacionando com os blogs), mas sim uma rede social de atualização de status. Cada um escolhe sobre quem/o que quer se atualizar, e passa a receber mensagens vindas daquela pessoa, num basiquíssimo esquema de broadcast.
E sabe qual a grande graça? O Twitter se firmou quase como uma nova forma de comunicação. Tweets que reclamavam de serviços começaram a ser atendidos, notícias começaram a ser obtidas em primeira mão, e as empresas despertaram para o uso dessa nova ferramenta e criaram canais de comunicação, que ficam extremamente próximos do cliente/usuário. Jornais, revistas, sites, e até o presidente Obama usaram o potencial da ferramenta para manter contato –  ou seja, para manter sua rede social.
Como usar e como “convencer” alguém a usar
Mas como a coisa é nova ainda, é preciso aprender a usar a partir de processos empíricos: da mesma forma que uma criança só entende que fogo queima quando coloca a mão nele, só aprendemos os bons usos do Twitter testando e observando os usos alheios. Por exemplo, a loja online Submarino criou o @novo_submarino onde divulga todas as promoções do site. Entretanto, isso não é muito bem vindo, pois os usuários passam a receber spams de 140 caracteres. Logicamente, pra resolver o problema, basta dar unfollow, ou usar um serviço que possa filtrar os tweets que se recebe – mas se você vai filtrar e não ver, pra que receber, não é mesmo? Já @oleitorvoraz, Twitter da Ediouro, tem uma aproximação mais amigável, interagindo verdadeiramente, como um personagem que é apaixonado por livros. O mesmo personagem do Twitter mantém também um blog na plataforma gratuita wordpress.com, onde realiza promoções, concursos e avisa de encontros com autores e coisas parecidas. Um uso muito melhor, a meu ver.

twitterclass
My twitter class of ’08 – créditos: Mallix

E se nesse momento você se pergunta como embasar o uso de uma ferramenta desse tipo em uma estratégia de comunicação, Raquel Recuero e Gabriela Zago fizeram algo muito bom por você: elas fizeram, há pouco tempo, uma pesquisa sobre o uso do twitter. Apesar de os dados não terem muito embasamento “estatístico”, mostram tendências entre os usuários do serviço. Uma deles é a confiança nos links, já citada acima. Outra é que o twitter virou uma rede de informação. As pessoas seguem quem acham que vá falar sobre alguma informação relevante, pois seguir as pessoas certas pode te trazer informações de último segundo – ou até mesmo seguir um determinado assunto. Nesse ponto, até algumas redações de grandes veículos fazem uma espécie de “escuta” das informações que circulam em redes sociais, em especial no Twitter, chegando até mesmo a manter um livestreaming de assuntos específicos no telão da redação.
Além disso, a partir de ferramentas como o Twitter, é possível manter um relacionamento bastante próximo com os consumidores/clientes/usuários. Já existem Twitters que atendem ao cliente de forma bem rápida e bem próxima, como a Virgin America, Camiseteria, JetBlue, Dreamhost entre outras. Essas empresas costumam avisar o status dos seus serviços (no caso da Dreamhost), dar respostas aos questionamentos ou checar o atendimento ao cliente no caso de problemas, o que faz com que a insatisfação dos clientes seja cada vez menor, já que eles são quase que prontamente atendidos.
Bolsa Twitter: todo cidadão vai ter direito a um
Lógico, a princípio o Twitter está presente na camada mais abastada da população, que tem acesso à computadores e dispositivos móveis. Mas todo mundo deve lembrar que assim também foi com o orkut, que de repente se popularizou de uma tal forma que é impossível ir em uma lan house hoje e não encontrar ao menos uma tela aberta numa páginas de scraps. Como eu já ouvi certa vez o Michel Lent dizer, as redes sociais funcionam como os barzinhos: Você vai no barzinho sujinho porque é lá que os seus amigos vão estar. Assim também funciona com as redes sociais, como orkut, twitter, e tantas outras. Por isso que existe a regionalização de redes sociais.
E tenho certeza de que você também vai ser esperto e marcar presença no sujinho onde os seus amigos, ou leitores, ou usuários, ou clientes, vão estar.
> Não fique perdido! Saiba mais e com mais detalhes:
Guia de uso do Twitter para empresas
Pesquisa sobre o Twitter – Parte 1 e Parte 2
Uso do Twitter pelas empresas
, via Michel Lent
Twitter, a nova onda promissora da internet, via Financial Times (em pt-br, pelo UOL)
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8 opiniões sobre “Twitter: mais uma criação que surpreende seu criador

  1. Eu sinceramente acho que o Twitter só chegou aonde chegou porque felizmente conseguiu escapar do seu propósito inicial.

    E gostaria de lembrar que o Twitter está crescendo no Brasil e nem temos a “sorte” de contar com todos os serviços do produto como a possibilidade de utilizar telefones para seguir a galera (pelo menos, da última vez que vi, SMS não estava funcionando para o Brasil) ou de um serviço 3G decente, seja por qualidade ou cobertura, quando comparado a países como os EUA, por exemplo.

    No mais, torço pela popularização deste serviço e, mais ainda, que pessoas inteligentes consigam agregar ainda mais valor a essa forma de comuicação.

    Esses são meus 50 centavos…

    ps: e o churrascall ontem? curtiu? =)

    • @guilherme
      Entonces, eu acho que a idéia inicial era boa, mas… meio clichê, e não sei se: 1- as pessoas iam estar dispostas a falar tanto da própria vida; 2- existiriam tantas pessoas dispostas a ver o que essas pessoas fazem da vida.

      A idéia de pequenas conversas parece muito mais agradável.

      Sobre termos “serviços” de qualidade, isso é um problema do Brasil né? Em muita coisa.
      Mas eu sei que existe um ‘jeitinho’ de twittar via SMS com o SMS2Blog. Receber os tweets já é outra história.

      Mas acho que isso não será problema para a popularização.
      A única certeza que tenho é que se o negócio se popularizar à la Orkut, vamos trabalhar (e muito) nossa idéia de filtrar informação.

      • Com certeza teremos que trabalhar nossa capacidade de filtro.
        Inclusive, esse é outro ponto do twitter que é bacana: as pessoas tem (ou têm?) que saber “ser interessantes” e sucintas se quiserem ter seguidores, digamos, fiéis.

        E sim, como eu disse, concordo que a idéia inicial do twitter era meio clichê e por isso acho que FELIZMENTE ele conseguiu fugir do propósito inicial…

        Quanto ao churrascall, duas observações:

        1) Sim, eu estava lá. Firme, forte e presente. =)

        2) É impressionante a quantidade de pessoas que se declara hetero no primeiro ano né? hehehe Pelos veteranos(as) que conheço e vejo, esse número se reduz bastante ao longo da facul né?

  2. Oi Jaqueline!!

    Concordo com você…espero que o Twitter não se torne o inferno que virou o Orkut! :/
    Bom, eu acho muito difícil mesmo encontrar pessoas de SJC aqui, fora vc só me lembro de mais uma, que nem sigo mais. Anyway, já estou te ‘seguindo’: lá, sou a @tantacoisa. ;)

    Beijos!

  3. Estou no twitter ha 3 semanas, mais ou menos. A principio achei um pouco confuso, sem sentido, mas agora eu gosto.

    Gostei muito da forma como vc tratou essa nova ferramenta. Muitos blogs por aí estão apenas falando mal, dizendo o quanto é sem sentido saber se fulano vai ao banheiro, se está almoçando, etc. Uma bobagem! Afinal, o Twitter é super democrático: seguiu e se arrependeu? basta parar de seguir, simples. E basta também um pouquinho de paciencia para encontrar usuários com as mesmas afinidades ou convencer os amigos a usar.

    Essa semana, por exemplo, foi através do Twitter que fiquei sabendo que a rua da minha casa estava totalmente alagada, devido as fortes chuvas aqui em Salvador.

    Estou gostando dessa brincadeirinha.

    Um beijo

    • O segredo é pensar que as coisas podem ser sempre usadas de forma diversa da que elas foram criadas.

      Nesse mundo high tech, é difícil alguém nos dizer o que fazer e o que falar. A gente faz das ferramentas o que achar melhor. E o twitter hoje é isso, uma apropriação da comunidade.

      Tomara que você continue gostando do twitter!
      Abraços!

  4. Pingback: É tempo de estar no Twitter | Prosa Digital - o blog da Digitale agência digital

  5. [rose] oi jaque achei legau o twitter
    hoje ele foi divulgado na televisão no mais vc
    eu adorei mais cm fasso para criar o meu

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