Campus Party 2009: considerações finais

Quinta, sexta e sábado foram dias impossíveis. Depois de três noites dormindo nas incríveis barracas azuis que ficavam logo atrás do palco principal e de tomar banho no contêiner, não deu pra produzir mais nada. Todas as minhas energias foram poupadas para me manter quente e viva. Porque eu não sei se vocês lembram, mas a gente tá no verão, e eu não levei cobertas pra CP. Resultado: morri de frio por muitas noites. A ponto de enfiar as pernas dentro da sacola da telefônica que ganhamos pra conseguir dormir. Fora o frio, tinha também o barulho infernal que não te deixava nem por um minuto. Tentar isolar o barulho com fones de ouvido também não era uma alternativa saudável.

poperoticoCrédito da Foto: Poperotico

Ou seja, foi um sacrifício tremendo acompanhar as palestras e não ficar com uma enorme dor de cabeça. Isso explica o porquê de eu ter conseguido absorver cada vez menos. Uma das últimas palestras que eu realmente aproveitei foi a da Raquel Recuero, sobre o Twitter. Raquel começou deixando claro que as pessoas tem uma vida online e offline paralelas; não se deixa de viver uma pra viver a outra, mas elas interferem uma na outra e se completam. E nessa vida online que mantemos, participamos de diversas redes sociais, algumas mais íntimas, outras mais distantes. E o que conseguimos com elas? Reputação, autoridade, visibilidade, popularidade, suporte social e laços. Ou você pensou que não ganhávamos nada? Acontece que o twitter é uma coisa nova ainda. Não existiam estudos, nem estatísticas. Até agora.

A Raquel apresentou, em primeira mão, algumas das estatísticas da pesquisa Twitter, e principalmente alguns hábitos dos twitteiros. Por exemplo, o sudeste, em especial SP, é matador na participação, e a galera usa o serviço principalmente para se informar. Pra você ter uma idéia da credibilidade que os tweets têm, quase todo mundo clica nos links twittados, que normalmente não dão a menor pista de onde você está indo (porque usam aquelas tiny urls). Ou seja, Raquel Recuero chegou à conclusão de que o twitter tem sido a nova fonte de informação das pessoas, apesar de ainda ser mais um broadcast do “eu”. E ainda por cima é uma rede que é capaz de influenciar outras – você segue alguém no twitter, e acaba conhecendo o blog, o orkut… Achei interessante conhecer todos esses dados e essas interpretações, principalmente para entender o porquê do twitter fazer tanto sucesso. (pra quem se interessar, a Raquel disponibilizou o ppt da palestra)

Nos dias subsequentes eu bem que tentei acompanhar outras palestras, mas em vão. A mente e o corpo já estavam pedindo arrego. Mas ainda assim deu pra aproveitar a discussão sobre pornografia e internet e a conversa das lulus no sábado, além da exibição do Blogumentário, na sexta à noite.

Minha conclusão, no final das contas, é que mesmo com os contras todos, a Campus Party foi bem proveitosa. Em termos de conhecimento que adquiri, não foi tão interessante quanto a de 2008, mas, como disse o @castrezana, esse ano foi mais divertido. Conheci algumas pessoas, transformei novamente avatares em rostos, fiz uma divertida “flash entrevista” na transmissão ao vivo do Omedi com o @viniciuskmax, assisti estupefata a dança das cadeiras nerd, vi o Edney reconhecendo avatares por aí também e pude tirar uma conclusão disso tudo: a blogosfera não é metida, ela é míope. No ano passado eu pensei que era uma coisa muito de ‘panelinha’, mas esse ano percebi que o que falta é visão. Eles não ignoram as pessoas porque são arrogantes, eles simplesmente não percebem, não vêem. É um turbilhão tão grande de informações que é preciso ficar mais “nítido” para que você seja percebido. Ou seja, as panelinhas existem pelo simples fato de que eles conhecem aquelas pessoas e não conheçem o restante – e, como o Wagner Fontoura me disse ano passado, alguém tem que ter a iniciativa de chegar e se fazer conhecer, de se aproximar. Não que eu seja ótima nisso, mas esse é o segredo. Então deixem os #mimimis de lado e ‘bora aprender a socializar melhor.

E sobre a Campus Party 2010, não vou tentar fazer futurologia. Muitos bits ainda vão rolar, então eu vou esperar e ver o que acontece. Mas tenho certeza: se eu for na próxima CP, eu levo coberta.

| Veja mais textos sobre o pior e o melhor da Campus Party 2009
_ The good, the bad and the ugly, por Nospheratt
_ Balanço final, por Inagaki
_ O ano em que a Campus Party Brasil acabou, por Rafael R
_ A ótima cobertura das palestras feita pelo Éoqhá.

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12 opiniões sobre “Campus Party 2009: considerações finais

  1. Concordo com o lance da miopia, o tumulto dos grandes eventos torna quase impossível a parte de socializar, mas basta chegar ‘chegando’ que tudo se resolve. E te ‘conheci’ via streaming só, e foi uma grata surpresa ler teu blog depois, gostei bastante a ponto de assinar o feed. ;)

    • @rafael
      Tanto nos grandes eventos como na internet mesmo. É impossível para um ser humano normal filtrar tanta coisa e perceber tanta gente. É o mesmo que brigar com um míope por não ter te cumprimentado quando cruzou com você na rua. Não é que ele seja metido, ele simplesmente não te percebeu. Mas é isso mesmo, tem que melhorar a arte do “chegar chegando” e ir lá dizer “oi, ou sou o @alguém”. Não tenho muita prática nisso, mas nas vezes que aconteceu, foi divertido.

      Hahahaha via streaming? Meldelz, queria entender o que raios o pessoal propagandeou nesse streaming… Mas é bom saber que você gostou!
      \o/

      @douglas
      Pra você ver! Esse mundo é pequeno demais, mas a gente não se esbarra do mesmo jeito.
      Também pudera: 6000 pessoas no mesmo local, a chance de se cruzar é incrivelmente pequena.
      Mas tamos aí, quem sabe pra fazer um NoB SJC, ou quem sabe, na próxima CP.
      =)

  2. Aff… Você é aqui de São José e não nos conhecemos no Campus Party? Que pena :/
    Concordo plenamente que a desse ano não foi como a do ano passado, mas é sempre assim isso é Brasil, agora eles tão querendo regionalizar a coisa. Vamos torcer pelo futuro do cparty.

  3. Pingback: Campus Party 2009, um pequeno balanço — QueroTerUmBlog.com!

  4. Diga-se de passagem, visto a carapuça da miopia; afinal de contas, não encontrei a senhorita pessoalmente lá na Campus Party, em meio a todo o pessoal que reencontrei ou que conheci enfim por lá. :(

    • Inagaki,
      Ah, era mesmo muito difícil encontrar alguém por lá.
      Mas sempre existirão novas possibilidades!

      E da próxima vez, eu dou coordenadas. :)

  5. Nossa Jackie, adorei isso aqui!huahua
    Vc sabe que eu não sou mto ligada em tecnologia e essas coisinhas (embora eu devesse ser!)mas sua page é mto interessante! Vou frequentar mais!! Vc escreve bem, moça!

    Saudades…!*

    Bjoss

    • Obrigada, Sami!
      Apareça sempre, afinal eu não vivo só de tecnologia – apesar de viver muito “mal” sem ela! hauahua

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