Campus Party 2009, quarta: Sibéria is here.

O tempo em SP fechou feio. Depois da chuva, veio a frente fria e o vento que sai rasgando pelo galpão. Eu, que vim preparada para o calor feio que tava fazendo no primeiro dia, tô aqui, congelando os pés porque não trouxe nem tênis nem meia. Sibéria is here.

O que não é motivo para não aproveitar, lógico. A verdade é que a Campus Party não pára e que as cápsulas de guaraná que eu ganhei do Rodolfo Castrezana, do Omedi, vão ser muito úteis.

Hoje o dia foi de mídias sociais aqui no Campus Blog. Logo pela manhã aconteceu uma palestra sobre o uso de mídias sociais nas corporações. Falaram sobre o LG Renoir, que foi um case que ‘deu errado’, pois o bafafá ao invés de positivo começou a ser negativo, e concluíram que, a princípio, as empresas funcionam mais na escuta das redes sociais do que efetivamente fazendo algo nela – como cases ‘de sucesso’ dessa escuta foram citados a volta do Nescau tradicional e o Doritos de 5kg como campanha.

Na sequência, depois da pausa para o almoço, Fábio Malini falou sobre a reputação dos blogueiros. No começo, como se fosse um militante do PSTU, Malini disse que todos devemos entrar na “luta pelo reconhecimento dos blogs”. Achei um tanto forçado. Entretanto, no decorrer de sua fala, ele apresentou observações interessantes sobre a reputação dos blogueiros, que, segundo ele, é feita da capacidade de seleção de links, de produção de ponto de vista e da experiência prévia do autor. Tudo isso junto monta a sua reputação “virtual”, que é aquilo que vai um tanto além do seu “perfil”. Ele também ressaltou que para ser relevante um blog precisa apresentar pontos de vista, opiniões e críticas, e não apenas uma replicação de acontecimentos. O papel é ecoar, mas também adicionar algo que faça pensar e que promova discussão. (você pode ler sobre isso no blog dele)

Logo depois, num dos debates que mais disputaram o exíguo espaço perto do telão do Campus Blog, Merigo, do Brainstorm#9, mediou um bate papo com 4 feras das agências iThink, Bullet, LiveAD e Espalhe. Gustavo Fortes, da Espalhe, deixou claro de cara qual a importância do uso dessa nova mídia: é (praticamente) grátis e tem uma relevância que não se compara com a mídia tradicional. As homepages passam a ser o google: cidadão vai lá, digita “notebook dell”, com intuito de ver o site da dell e clicar. Sabe o que ele vê?

notebookdell

Lucas Mello, da LiveAD, frisou que a pulverização de informação é a chave das mídias sociais na publicidade. Funcionam como eco, como um chamado, e costuma ser usado em paralelo com as campanhas, para gerar discussão e visualização. Para ele, um blogueiro (ou twitteiro, flickreiro, whatevá) não precisa ser profissional. Quem precisa ser profissional é a marca, que deve proporcionar um bom produto e uma boa experiência.

Neto, da Bullet, também lembra que o mesmo tipo de ‘problema’ que se vê hoje ao apresentar produtos para a comunidade web (que é a galera começar a falar mal ao invés de falar bem) também acontecia quando o produto era apresentado a jornalistas. Mesma história, público diferente. Neto também fez uma analogia muito interessante: essa nova forma de comunicação é como o flúor para os dentistas: acabam-se as cáries, e eles precisaram lidar com isso.

Ou seja, é hora de se adaptar com os novos formatos.

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2 opiniões sobre “Campus Party 2009, quarta: Sibéria is here.

  1. Deu a sensação de que o cara da Bullet acredita que blogueiro vai falar bem do produto, ganhando jabá e ainda vai continuar vivo na blogosfera. foi essa sua percepção? vc acredita que vai continuar existindo público pra blogueiro-jabazeiro?

    • Ceila,
      Na verdade, tive mais a impressão de que o Neto acha que colocar produto para blogueiro avaliar tem o mesmo risco de mandar para uma revista ou um grupo de jornalistas resenharem: eles podem dizer bem ou mal do produto.

      O que foi ressaltado pelo Lucas Mello, da LiveAD, acho que vale mais: “quem precisa ser profissional é a marca”.
      Ou seja, a marca tem que apresentar um bom produto, uma boa experiência, e aí a chance de falarem mal é muuuito menor.

      Quanto ao blogueiro de jabá, eu acho que ele sempre vai existir. Sempre vai ter espaço para alguém que se vende. Mas acredito que essas pessoas vão perder cada vez mais credibilidade. Acho que o blogueiro com consciência e ética pode sim ganhar algum com o seu blog sem, contudo, acabar com a sua relevância.

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