John Casablancas conta a sua história: vida modelo?

Faz pouco tempo que eu tive uma disciplina na faculdade sobre biografias. E lembro claramente da professora explicando: biografado bom é biografado morto. Isso porque sempre que ele tá vivo, algo sai errado, ou algo não sai – pelo menos não do jeito que deveria. Minha experiência foi com biografias de grandes nomes, já falecidos, e de muito entendimento do trabalho do biógrafo, que envolve desde a pesquisa até a a seleção de um tema ou de um período para retratar.

dsc05586John Casablancas não faz nada disso em sua autobiografia, “Vida Modelo”; ele sai falando de tudo que acha interessante, sem muita ordem cronológica e sem muito aprofundamento. Ainda assim, uma leitura muito interessante. Recebi o livro em dezembro, uma cortesia da Ediouro para as Lulus, e passei a lê-lo aos pouquinhos. O livro é incrivelmente cheio de imagens, o que fez com que eu folheasse muito antes de começar a leitura propriamente dita. São fotos e mais fotos de épocas e de modelos que eu nunca vi na vida, e também de todas aquelas que eu conheço hoje.

Vida Modelo (e não Vida de Modelo) foi exatamente o que John Casablancas não teve. Nascido em uma família conceituada, estudou nos melhores colégios e teve uma juventude bastante tranquila, porém cheia de aventuras sexuais por todos os lados – e ele faz questão de não deixar isso de lado. Durante a leitura, conhecemos suas duas primeiras mulheres, Marie Christine e Jeanette, e vamos seguindo, de forma não lá muito ordenada, até o seu relacionamento atual com a brasileira Aline, com quem tem três filhos. Mas é quando JC passa a focar a história no surgimento e ascenção da Elite que a coisa fica interessante: partindo do básico, que foi a construção do logo até a venda da empresa. É aí que a história esquenta.

JC conta sobre como a Elite se consolidou na Europa, com atitudes ousadas e eventos inovadores, e da expansão corajosa que fez para os Estados Unidos, concorrendo diretamente com a Ford Models. Conta sobre roubar modelos, sobre o efeito-surpresa de aparecer na área de Eileen Ford do nada, da emoção de agenciar Naomi, toda essa parte de bastidores que sempre gostamos de saber.

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Páginas dedicadas a Gisele Bundchen e páginas de composites de modelos da Elite

Mas JC deixa transparecer umas rusgas meio desnecessárias. Lá pro final do livro ele conta sobre como descobriu Gisele Bundchen, como lapidou a garota de 14 anos para ser a über model de hoje, e como ela deixou a Elite exatamente quando estava chegando ao topo. O trecho que conta essa história traz muitas notas de jornais, trechos de contratos e muito rancor, totalmente desnecessários. JC promete que só vai parar de falar mal de Bündchen quando ela admitir publicamente que a Elite que fez dela o que ela é hoje – e tanto eu, como você como John Casablancas sabemos que isso não vai acontecer. Além disso, eu fico me perguntando: quem é John Casablancas, o cara que traiu suas duas primeiras mulheres, o cara que roubou modelos de diversas agências, para acusar Gisele de traição? Analisando friamente, depois de conhecer um pouco dele em seu livro, me arrisco a dizer que trata-se de puro marketing, afinal, falar de Gisele, hoje, é ser notícia.

E tudo que John Casablancas precisa hoje é ser notícia.

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6 opiniões sobre “John Casablancas conta a sua história: vida modelo?

  1. NOssa…. que cara mais malvadão….
    Uffa… com seu texto tive um norte pra montar a resenha do meu livro!
    Mega bitoca Lulu!
    Gabi

  2. E eu tinha cismado que era “Vida de Modelo”, hahahaha! Bom, pelo menos ele não pintou um quadro “bonzinho” de si mesmo. :P

  3. Lu,
    Realmente, ele não pinta um quadro bonzinho de sí mesmo. Por isso mesmo que algumas afirmações dele soam contraditórias, como quando ele reclama que foi traído por Gisele Bündchen.

    Mas no geral é muito interessante, e as fotos todas fazem do livro algo muito divertido e curioso!

    Abraços!

  4. Aff, ele não é um cara malvadão ! ele só não se conformou por Gisele não admitir que o sucesso dela é gaças a Elite! Gisele que é comprada ¬¬’

    • Camila,
      Realmente, ele não é um cara malvadão, mas muitas vezes eu achei ele um pouco incoerente.
      Essa de ficar bravo com a Gisele não admitir o sucesso, parece birra de criança, não?!

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