Frankenstein 2.0

Como parte da minha formação acadêmica tive a oportunidade de ler Frankenstein, de Mary Shelley. Achei ótimo, afinal saberia detalhes da história de Frankenstein, imortalizado na minha memória pela imagem do personagem “Tropeço”, da Família Addams.

Pois bem, o nome dele NÃO É Frankenstein. Esse é o nome do criador. A criatura, pasmem, não tem nome! É tratada o livro inteiro como “monstro”, “criatura” e uma série de nomes que apenas se referem à criatura grotesca criada pelo doutor Frankenstein.

Eu, que esperava apenas saber detalhes da história, desfiz toda uma conclusão infantil.
Mas apesar disso a leitura me fez muito bem, e inclusive me fez refletir sobre a história da história.

Mary Shelley faz um prefácio ao livro onde conta as circunstâncias em que ele foi criado. Mary foi casada com Percy Shelley após a morte da primeira esposa deste. A residência na qual o casal morava era muito próxima da casa de Lord Byron, famoso escritor do período romântico. Em um determinado verão, desastroso e frio devido a alterações climáticas, o casal foi se “entreter” durante um tempo na casa de Byron. Lá, eles tiveram acesso a diversos contos de terror alemães, e Byron propôs aos amigos que estavam passando aquela temporada em sua casa que criassem, juntamente com ele, algo relacionado ao tipo de terror que liam nas obras alemãs.

Nessa época, Mary tinha 19 anos, e depois de um pesadelo onde “visualizou” a criatura, resolveu aceitar o desafio de Byron. Foi daí que surgiu essa obra de referência, que criou um novo gênero de horror e sendo uma das primeiras histórias ficcionais publicadas.
E é exatamente a forma de construção de Frankenstein que me fascinou. Foi a partir de um desafio aparentemente bobo e simples que uma obra marcante como essa foi construída. Basta uma iniciativa, e grandes coisas podem vir.

No mundo web isso acontece frequentemente. Iniciativas desafiantes ou inovadoras podem promover grandes revelações. Muitas vezes é a partir do desafio que se cria algo com grande relevância.
Desde iniciativas em “plataformas” desafiantes, como o Twitter, até propostas provocantes como o Blogueiro Repórter podem render bons resultados em um futuro próximo. O Twitter tem nos mostrado que simplificar nossas idéias pode ajudar. Luli tem feito questionamentos como “Se você precisasse explicar o que faz [a sua idéia] em uma frase, ela caberia no Twitter?“.

Acredite, isso muda nosso jeito de pensar e o modo como nos comunicarmos.

FrankensteinDepois de ler Frankenstein eu realizei que não importa em que época temporal estejamos, os desafios sempre são capazes de construir algo bom. E, assim como Mary Shelley, talvez você não precise se contorcer todo para realizar algo bom. Muitas vezes são as coisas mais simples do dia-a-dia que nos trazem agudeza de espírito, sagacidade, percepção. Basta prestar atenção e trabalhar com essas idéias.
Já tentou montar seu Frankenstein hoje?

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3 opiniões sobre “Frankenstein 2.0

  1. O título “Frankestein” não faz referência ao “monstro”, mas ao seu criador. Por isso o tal monstro não tem nome. Estamos tão condicionados pela idéia do monstro Frankestein consagrada pela mídia, que a gente nem percebe que o protagonista principal da obra é Victor. No entanto, até que o monstro tem alguma semelhança com essa coisa verde dos desenhos. Se formos comparar o monstro do livro com o monstro aí da figura, podemos dizer que ambos estão de acordo em serem verdes. O monstro de Shelley foi feito de resto de corpos já em decomposição. É pura carne putrificada. Certo que cheirava mal, suas formas eram nojentas e, sem nenhum impedimento, tinha coloração esverdeada, pincelada com tons do roxo e vermelho. Sem falar em sua altura, bem mais enfatisada enquanto integrante da Família Adams. Reparemos que, por esta constituição, por ter ganho vida através da união de corpos sem vida, o monstro é também eternizado em citações de vários autores, justamente por essa idéia de ser feito daquilo que já morreu. Um exemplo é o poema XXVI de Quintana, em Rua dos Cataventos. Enfim, como se vê, é um livro para longas reflexões. Abraço!

  2. Henrique,
    Umbigosfera foi um termo que eu vi primeiramente no Brainstorm #9, do Carlos Merigo.

    Dafne,
    realmente sua consideração ressalta algo que eu deixei passar: a descrição que Mary Shelley faz pode mesmo nos remeter ao monstro verde, devido ao corpo de Frankenstein ser constituído de pedaços em decomposição.
    E a citação em outras obras, bem como a menção subjetiva do tema, intensifica a importância dessa criação surreal!

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