Campus Party: últimos dias, encerramento e opiniões

Perdi grande parte das palestras do penúltimo dia por ter me perdido em Sampa tentando almoçar decentemente. Quando consegui voltar, estava quase no fim a palestra sobre Hackers; de qualquer maneira, deu pra prestigiar a apresentação de Edney Souza sobre Audiência Web. Edney deixou claro que fazer contatos e responder comentários é o melhor que se pode fazer em busca de uma maior audiência. Produzir conteúdo relevante é mais do que básico, mas promover uma maior acessibilidade é a melhor dica de Edney: use e abuse de RSS, assinaturas por email, orkut, o que der.

O último dia de palestras foi o mais agitado. Segundo meus planos eu assistiria a todas as palestras do dia. Quando eu já estava preparada para assistir à apresentação de Pollyana Ferrari, me avisaram que a agenda do dia havia sido alterada, e a apresentação sobre “Ferramenta Multidão” que viria logo após a palestra que estava aguardando iam ser simultâneas. Ferrari ganhou mais uma hora para falar sobre Redação para Web, e eu fiquei atordoada porque tinha que escolher uma das duas. Acabei presitigiando a oficina de Redação para Web, que foi bastante prolixa e desanimei depois de um tempo. Ferrari tentou incentivar a participação dos ouvintes, mas ninguém estava muito afim. Interessante mesmo foi a divisão sugerida por ela para os produtores de conteúdo contemporâneos: jornalistas online, jornalistas digitais e gestores de conteúdo.

Em seguida, Wagner Martins, mais conhecido por Mr. Manson, apresentou o “case” Cocadaboa, explicando o contexto no qual o site foi criado e quais os métodos utilizados por ele e pelos amigos para fazer um boato circular. Martins salientou que os boatos só circulavam devido ao custo mínimo de envio, já que é só dar “ctrl + c, ctrl + v” pra repassar o conteúdo. Um outro ponto intrigante da apresentação do Cocadaboa foi Wagner Martins afirmando que, se ele ainda mantivesse o Cocadaboa nos dias de hoje, as publicações mentirosas circulariam ainda mais. Ele se justifica alegando que os boatos enganavam as classes mais altas e mais instruidas da sociedade, que eram as classes que tinham acesso a computadores e internet naquele momento. Hoje, com as facilidades de pagamento e parcelamento, todo mundo pode ter um PC em casa, até mesmo as classes menos abastadas. E, segundo ele, agora seria muito mais fácil criar textos mentirosos com alta circulação.

Na seqüência, foi apresentada a plataforma STOA de rede sociais, que foi adotada na Universidade de São Paulo (USP) para criar uma rede de relacionamentos acadêmica, seguida pela palestra de Manoel Lemos sobre como criar um blog e quais as formas de indexá-los corretamente para ser listados no BlogBlogs, o Technorati brasileiro.

Mas o dia terminou com a pífia apresentação de Clarah Averbuck, que deveria contar também com a presença de Leandra Leal, que infelizmente não compareceu. Clarah era esperada para a exibição de trechos do filme “Nome Próprio“, que é baseado em suas obras, em especial o livro “Máquina de Pinball”. Tenho que ressaltar que todos os blogueiros ali presentes estavam na mais sincera boa vontade, mas Clarah não parecia interessada. Ainda que tenha confidenciado a todos que já havia consumido meio litro de conhaque, isso não justificou sua atitude no mínimo bizarra: não queria falar. Não estando presente Leandra Leal, e diante da teimosia de Clarah, os diretores tomaram a palavra e explicaram do que se tratava o filme e qual era a intenção daquela exibição no último dia de Campus Party. Sendo um filme de baixo orçamento, os diretores pretendiam apostar na exibição “exclusiva” para os blogs visando postagens que “marketeassem” a película. Não me atingiu, mas eu fiquei sensibilizada com a situação delicada dos diretores: a autora dos livros nos quais o filme foi baseado estava tribêbada, se recusava a falar, e quando resolveu falar, se enrolou toda e repetia muito, além de ter explicitado desnecessariamente sua embriaguês, que podia ser detectada a distância.

A atuação de Leandra Leal me pareceu muito boa; o assunto que permeia a trama é o fato da personagem principal manter um blog. Mais que isso, eu não saberia dizer. Não tenho idéia de quais são os pontos altos do filme, visto que a autora não comentou. Aliás, a única coisa que ela comentou foi que o filme é muito mais dramático do que ela gostaria. E que agora ela é super amiga de Leandra Leal.

Quem quiser matar a curiosidade sobre todas essas coisas não apresentadas, o filme deve entrar em cartaz nos próximos meses.
Se eu achar que os diretores e Leandra Leal merecem, talvez eu assista. Isso se eu conseguir por um momento me esquecer das atitudes infames de Clarah. Porque se isso não acontecer, Leandra Leal que me perdoe, mas não vou prestigiar.

Ao desmontar minha barraca e juntar as malas para voltar pra casa, a minha impressão final sobre a Campus Party é positiva. Reunir comunicadores, tecnólogos, empresários, free lancers, funcionários, acadêmicos e gamers em um mesmo recinto não é coisa pouca. Fazer desse mega evento um sucesso é surpreendente. Saber que teremos Campus Party no Brasil até 2013 me deixa mais animada ainda, pois eu sei que a infra estrutura só tende a melhorar com o tempo e a experiência, mas o jeito brasileiro de fazer festa será sempre o mesmo, sempre bom! Afinal, o melhor do Brasil é o brasileiro, como já dizia aquela campanha do governo. Assim sendo, quem se interessou fique atento, porque ano que vem tem mais. E, com certeza, ano que vem eu também estarei, de novo, por lá.

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