Campus Party dia 3 é marco para blogs, que passam a ser devidamente respeitados

Depois de Juliano Spyer explicar que tecnologia não faz blog (ontem), no dia 3 da Campus Party temos a consolidação do que eu vejo como um marco para os blogs: eles passaram a ser tratados com deferência e credibilidade.

Bárbara Dieu abriu as palestras do dia apresentando sua experiência com o uso de blogs para o ensino de língua estrangeira. Dieu é professora de língua inglesa e o embasamento para fazer uso da web em suas aulas é óbvio: o inglês é o idioma mais utilizado na internet. Ela esclareceu que o uso dos blogs como parte do aprendizado de sala de aula ficou mais fácil com o advento do que se denomina “web 2.0”, que nada mais é do que a web sendo usada de modo mais dinâmico e interativo. Com o surgimento de serviços como o blogger, que facilita a criação e o uso de blogs por uma ampla camada da população, existe a possibilidade de fazer com que os alunos passem a interagir e produzir conteúdo.


Dieu falando sobre o uso de blogs para ensinar

Segundo Dieu, o plano educacional é bem travado, tradicional e fechado, mas aos poucos ele pode ir se alterando. Está ficando cada vez mais claro que o contato com outras pessoas e a busca individual por conhecimento tem como reflexo uma formação mais sólida e duradoura. Dieu acredita que o blog não é mais apenas um diário pessoal, mas sim uma identidade e uma presença online. Com o uso dos blogs, é possível mostrar ao aluno a evolução do seu aprendizado e seu uso prático, fazendo com que ele tenha vivência do idioma estudado em situações cotidianas. Ela citou o caso de um fotógrafo amador holandês que teve suas fotos escolhidas para ilustrar um projeto dos alunos. Ao querer saber mais sobre ele, os alunos foram encaminhados a conversar diretamente com fotógrafo, em inglês; isso fez com que eles pudessem entender a real utilidade do aprendizado do idioma em uma situação real, que trouxe algum benefício a eles: o privilégio do conhecimento.

Na seqüência, Julio Monteiro apresentou a incubadora de projetos colaborativos da Fapesp, que propõe fornecer ferramentas para disseminação de conteúdos de cunho acadêmico, tecnológico e sócio-cultural. A iniciativa é interessante e visa proporcionar uma forma fácil de produção de conteúdo de qualidade. Segundo Monteiro, a FAPESP tem esse projeto ainda em fase de testes, e para participar você deve submeter sua idéia para aprovação no site da incubadora.

Ao mesmo tempo em que Júlio Monteiro apresentava a incubadora da FAPESP, no BarCamp rolava o Startup Camp, com o lançamento do Blog Content, um projeto de Alexandre Inagaki, Edney Souza, Gustavo Jreige e Ian Black. O objetivo é prestar consultoria sobre blogs e redes sociais para empresas.

Ao final do dia Edney Souza apresentou dicas e truques para aumentar a audiência dos blogs. Chamando o pessoal da área de blogs literalmente “no grito”, Edney teve que ceder e permitir a “rodinha” que todos propuseram fazer. Mais do que uma apresentação, foi uma dinâmica que tinha como objetivo gerar conhecimento. Mais uma vez foi ressaltado que é importantíssimo manter um relacionamento na rede. O fato desse relacionamento ser por uma via digital não significa que deva ser virtual. Existem, por trás dos blogs, pessoas reais e relacionamentos reais, apenas intermediados pela tecnologia.


A rodinha do Edney

Acima de tudo, confirmando mais uma vez a fala de Spyer, Edney ressaltou que manter um blog é algo que se deve fazer com gosto, com orgulho, e que ele deve fazer parte da forma como o autor se apresenta: sou fulano de tal, do blog tal. Deve-se tentar focar um tema em que haja conhecimento aprofundado ou, no mínimo, grande interesse.

Acima de tudo, blogueiro agora é tratado com respeito. Blog é tratado com respeito. Porque enfim se entendeu que blog é uma ferramenta, e não apenas diário online.

|Saiba mais sobre Barbara Dieu, Julio Monteiro e Edney Souza
|Confira também as fotos do Flickr sobre o evento

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2 opiniões sobre “Campus Party dia 3 é marco para blogs, que passam a ser devidamente respeitados

  1. Acredito que 2007 foi o ano em que os blogs ficaram conhecidos e ganharam ainda mais respeito e profissionalização, até mesmo com a chegada de agências publicitárias especialmente voltadas para eles. 2008 é, sem dúvida nenhuma, o ano do amadurecimento.

    Agora… Adoraria saber como será 2009! Dá para imaginar? Eu não consigo!

    O meu diferencial profissional sempre foi ser blogueiro, por mais estranho que pareça. Tenho muito orgulho disso – e me abre diversas portas!

    Fico muito feliz de ver a blogosfera da forma que é hoje, digna de respeito. Esse é um trabalho de todos nós, não é verdade? Iniciativas como a Blog Content e o Interney Blogs, entre outros, existem exatamente para tentar tornar ainda melhor esse novo, mas já existente, mercado.

    Usaria com muito orgulho (e um tantinho de bom humor) uma camiseta que tivesse escrito: “Me respeita, sou blogueiro!”. Você não? ;-)

  2. Jreige,
    Concordo com você, e acho que cada vez mais os blogs vão se profissionalizar, tanto do ponto de fazer-lo render financeiramente como, de alguma maneira, ajudando a alavancar a carreira profissional do blogueiro.
    O interessante é que finalmente passou-se a entender os blogs como uma ferramenta real, e não como apenas um “diário online”.

    E isso, pra mim, é motivo de orgulho para qualquer blogueiro.
    E se eu usaria a camiseta? É claro.
    Ter blog agora é motivo de orgulho!

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