Antonio

Família a gente não escolhe, já nasce nela e pronto-acabou. Às vezes a família é grande, outras vezes é agitada, briguenta, mas família legítima mesmo é aquela onde sempre existem problemas. E a família do Antonio não vai ser diferente.

O cotidiano da família Kremz é no mínimo inusitado: tudo torna-se válido se a argumentação for coerente. Portanto, na infância do avô de Antônio, rolou de tudo. E cada um cresceu a seu modo, um mais conservador, outra mais aberta a novas experiências, e ali, meio perdido, ia Teodoro, o avô de Antonio. A vida de Teodoro leva-o a loucura, assim como também tinha acontecido com seu pai, Xavier.

Mas a intriga da história não é o seu final, mas o entendimento dos acontecimentos. O tom do livro é de conversa. Existe um narrador, Benjamin, que não emite uma palavra, é o que eu chamei de “narrador-ouvinte”, que tenta compreender a história de sua família agora no momento em que vai ser pai. Benjamin teme que a loucura seja algo hereditário e tenta, ao conversar com sua avó, já acamada, sobre o que fez com que sei pai e seu avô enlouquecessem.

A estrutura da narrativa é interessante, são como conversas alternadas. E assim é possível se sentir igual a Benjamim, acompanhando a história do jeito que lhe é contada, juntando as peças do quebra-cabeça como ele mesmo faria.

Pra quem preferir, vale fazer uma breve genealogia da família no começo da história. Mas o grande ponto da narrativa é entender que os conflitos são capazes de afetar até mesmo quem não fez parte (diretamente) deles.

antonio Antonio
de Beatriz Bracher
192 páginas
Editora 34
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R$28,00

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