En-quadrinhando a literatura

Todo mundo já teve que passar por uma história em quadrinhos na vida. É aquela tirinha do jornal, do site, é o gibi que se lia quando era criança, são os quadrinhos clássicos e as histórias complexas.
Desde Garfield, uma tradicional tirinha de jornal, até os Malvados da web de hoje são muitos e muitos quadrinhos. Eu mesma posso citar diversos: o gibi inicial da Turma da Mônica, mais tarde as incríveis e impactantes histórias de Mafalda, seguindo pelos livros-quadrinhos de “Gen – Pés descalços”, Maus

Mas um efeito interessante que eu tenho observado das histórias em quadrinhos é que elas estão se tornando uma forma de transformar a literatura em algo mais acessível aqueles que não são fãs de livros. Estranho, não? Mas acredito que é esse o intuito das editoras que estão se aventurando a publicar as chamadas Graphic Novels.

As histórias de “Gen” e de “Maus” já são mais complexas do que gibis ou tirinhas, mas ainda não são exatamente “literatura” (são mais um trabalho gráfico, mas não vamos nos aprofundar na discussão infindável sobre o que é e o que não é literatura)Agatha Christie. Entretanto, hoje já é possível encontrar, por exemplo, a biografia de Che Guevara em HQ. E mais: Casa-Grande e Senzala, de Gilberto Freyre, e O Alienista, de Machado de Assis, já foram também publicados em quadrinhos.

Eu ainda considerava esses casos de enquadrinhamentos literários como isolados, até me deparar com essa notícia: “Agatha Christie é adaptada em quadrinhos; Serão 83 títulos de Agatha Christie no formato HQ. Os 12 primeiros serão lançados em setembro

Ou seja, agora não são apenas títulos que serão traduzidos, mas sim uma coleção inteira. E nenhuma editora seria maluca de publicar 83 títulos em quadrinhos se eles não tivessem aceitação. Isso pode soar estranho para os mais conservadores, fãs da boa literatura e que devem estar se remoendo ao ler esse post, imaginando que atrocidades os desenhistas e editores de HQ devem estar cometendo contra Christie. Porém, acalmem-se: eles provavelmente não deverão ser tão atrozes. A meu ver, a iniciativa de transformar livros em quadrinhos parece surpreendente. Num mundo onde sempre existe a reclamação de falta de cultura, as HQs de livros considerados clássicos podem permitir que haja um maior intercâmbio cultural entre pessoas que amam a literatura e algumas que se consideram sem paciência com os livros, mas não são avessas a histórias em quadrinhos.

Além disso, com certeza existe um grande trabalho tanto dos desenhistas como dos redatores para manter a integridade da história, a verossimilhança, os detalhes… Poderia comparar com a produção de um filme que se baseia em um título literário: não vai ser tão completo, mas ao menos vai se ater a maior parte dos detalhes, fazendo a história ser o mais coerente e íntegra possível.

O que vem pela frente? Quem sabe, o enquadrinhamento de José de Alencar. Ou de As Cidades e as Serras, de Eça de Queirós. Aí sim eu leria.

| Saiba mais!
A história em quadrinhos no Brasil
Imagens dos quadrinhos de Agatha Christie
Gen, pés descalços
Maus
O Alienista, de Machado de Assis, em HQ
HQ da biografia de Che Guevara

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Uma opinião sobre “En-quadrinhando a literatura

  1. Digo com muito orgulho que comecei minhas aventuras literárias lendo Tintin e Asterix, que considero os clássicos da minha infância. Faço pouco caso da polêmica sobre qual gaveta classificatória seria mais adequada para mumificar os quadrinhos. E nem fico tão preocupado se uma HQ será absolutamente fiel a um livro que a inspira. É outro meio. Cada um com o seu cada qual. Eu também curtiria reler A Cidade e as Serras em quadrinhos!
    Temos sede de ler boas histórias, e bons quadrinhos são fascinantes.
    Meus heróis: Quino, Enki Bilal, Bill Watterson, Milo Manara, Hergé e Goschiny.

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