O caso da Biografia não-autorizada de Roberto Carlos

Via Hermenautas

Supostamente, as pessoas deveriam aprender com os erros alheios. Mas nem sempre isso acontece. Haja visto que o “rei” Roberto Carlos incorreu no mesmo erro que a modelo Daniela Cicarelli: proibir algo só aumenta o burburinho em torno da coisa.

O jornalista e fã Paulo César de Araujo decidiu escrever um livro contando a história de seu ídolo, que foiRC em detalhes lançado em 2 de dezembro de 2006 sob o título “Roberto Carlos em detalhes”. Acontece que o “rei” não gostou do conteúdo da obra, sentindo-se ofendido pelo nível de descrição de sua intimidade que a biografia continha. De qualquer forma, o livro poderia ser lançado como biografia não-autorizada. Existem muitas delas, e, normalmente, as personalidades processam-nas por calúnia e difamação, ao provar que algo que foi dito não é verídico. Acabam, assim, ganhando “algum troco” com as besteiras que os autores das biografias possam vir a dizer.

Só que o nosso ilustre RC decidiu entrar com dois processos na justiça, um contra a editora Planeta, que publicou o livro, e outro contra Paulo César, o autor. Num acordo, visando o menor dano possível à editora Planeta (principalmente), ficou decidido que o estoque dos livros na editora, cerca de 11 mil exemplares, seria entregue à Roberto Carlos. Os outros exemplares também deveriam ser recolhidos das livrarias, mas elas podem se recusar a devolver as obras adquiridas. Nesse caso, a editora se comprometeu a resarcir o “rei” se ele se dispuser a comprar esses exemplares e apresentar a nota fiscal.

O problema dessa questão toda é que a proibição nem sempre é a melhor saída: acaba, na verdade, se tornando um marketing do produto. Basta relembrar o episódio do vídeo de Daniela Cicarelli com seu namorado em uma praia espanhola – nem todo mundo sabia, mas foi só o YouTube ser bloqueado que todos passaram a saber do assunto.

Mas, como gato escaldado tem medo de água fria, o mundo cibernético já se precaveu. Existem links para e-books do livro “Roberto Carlos em detalhes”, mas ele também está sendo enviado por email, uma forma de troca de dados que não pode, a princípio, ser filtrada ou bloqueada. Assim, ao invés de fazer com que o livro não ficasse tão conhecido por retirá-lo das livrarias, RC acaba criando uma maior curiosidade em torno da obra. Existem, inclusive, estabelecimentos que se recusaram a devolver os exemplares para a editora Planeta, e agora passam a vender o livro por um valor mais elevado.

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Roberto Carlos em detalhes na livraria Nobel, na Rua Augusta

Para escritores, fica o medo da censura que acontece até mesmo dentro das próprias editoras. Fica o receio de não se ver amparado legalmente em sua profissão. Os leitores tornam-se apreensivos, questionando-se se estão à par da verdade ou de um fato ‘maquiado’. Mas acredito que a principal mensagem que fica de tudo isso é que a saída nem sempre é utilizar-se da força – no caso de RC, da força que seu nome tem – mas sim de jeito. Além de macular a própria imagem, Roberto Carlos está indo na contra-mão de seus objetivos, colocando um letreiro piscante sobre a obra que ele queria esconder.

| Saiba mais no G1 e em uma entrevista que a IstoÉ fez com Paulo César Araújo

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