A volta da “roda” de bebês medieval é uma ação humanitária

Há alguns dias estava conversando sobre o abandono de bebês e levantei a idéia de que recriassem a “roda” de bebês medieval, que ficava em conventos e igrejas e recebia bebês indesejados.  Funcionava mais ou menos assim: a mãe que não queria o bebê, por motivos diversos, colocava-o numa roda, e a girava para dentro do convento ou igreja. Assim, um sino era tocado dentro do local, notificando a chegada de um novo bebê abandonado.

Parece um pouco de crueldade retornar com um dispositivo desses, porém na verdade é uma ação incrivelmente humanitária. Hoje em dia, sem estabelecimentos que façam o que a roda fazia há anos atrás, bebês são encontrados boiando em rios, em sacos de lixo, em caixas de sapato e em toda a sorte de lugares nada interessantes para um recém nascido.

Sei que é preciso, sobretudo, que haja uma campanha de conscientização sobre sexo, uma maior distribuição de anticoncepcionais e camisinhas, mas estamos falando de como tratar de algo que vai acontecer, independentemente da maior abrangência de campanhas como as citadas.

E hoje, para minha surpresa, encontro notícia na Folha dizendo que uma ministra italiana resolveu reativar o “sistema” das rodas. Claro, agora as coisas devem ser um pouco mais tecnológica, com sensores, alarmes, avisos. Mas o interessante é haver um local que acolha e cuide de bebês que são injeitados pelas mães.
Meus aplausos a coragem e a iniciativa da ministra italiana Rosy Bindi. Porque muitas vezes nós pensamos em soluções, mas não há quem acredite nelas.

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5 opiniões sobre “A volta da “roda” de bebês medieval é uma ação humanitária

  1. Concordo com a idéia das rodas também, e também concordo quando vc diz que é necessário uma campanha de conscientização sobre sexo. E falando sobre isso, vc viu a cartilha que o Governo Federal elaborou sobre sexualidade para distribuição a estudantes de 13 a 19 anos??? Parece mais que eles estão incentivando a sexualidade dos adolescentes!

    http://www.agenciaaids.com.br/noticias-resultado.asp?Codigo=6957

  2. Concordo plenamente com a volta da roda e também acharia importante uma cirurgia de método anticoncepcional em pessoas cuja a responsabilidade seja questionada, no caso, “éguas parideiras” que abandonam bebês por aí, jogados, ensacados, e no que lí a pouco na internet, largados com uma quantidade de drogas cem vezes mais volumosos do que o próprio Bebê!

  3. Estava pesquisando sobre o tema (após ter lido sobre a mesma reportagem da folha) e encontrei seu site. Ando buscando opiniões sobre o tema pra embasar um pouco um trabalho que irei apresentar.
    Andei refletindo sobre tudo isso e sei que, na Itália o sistema que dará apoio e abrigo a essas crianças deve ter sido elaborado com muita cautela pelo Governo. Ao contrário do que podemos esperar se a mesma medida or implantada aqui no Brasil. Se as crianças, em abrigos judiciários, que possuem fiscalização (etc) já recebem tratamento semelhante aos dos presídios, imagine o que acontecerá com esses bebês abandonados.
    Infelizmente não acredito que qualquer projeto implantado em nome do retorno à ”roda dos bebês” venha a dar certo no Brasil. Ao contrário, acho muito mais provável que os municípios acabem ”inchando” os abrigos para adoção com esses bebês, ao invés de criarem espaços diferenciados.. é que na cabeça deles, infelizmente vira tudo um bolo só (dinheiro dinheiro e dinheiro que se gasta).
    Não podemos esquecer também o que está por trás de toda essa política de amparo a bebês indesejados.. a velha discussão sobre a legalização do aborto. Pensa-se que, assim, estarão preservando uma vida… mas não pensam na qualidade de vida que esse sujeito virá a ter. E olha quantas contradições as religiões nos apresentam!.. essa pra mim é so mais uma delas.
    Digo não à “roda dos bebês”.
    Se uma mãe não tem condições de cuidar de seus filhos… ou tem ”outros motivos diveros” para abandonar ele, que seja melhor ela não ter.
    Muitas vezes não é falta de informação a gravidez indesejada, mas uma culturalização do não uso de camisinha, ou de que a camisinha é 100% eficaz…fora a falta de acesso (real) aos metodos contraceptivos… falando nisso.. alguém lembra da pílula de farinha?

    um abraço a todos.

  4. O abandono e o assassinato de recém nascidos no país atingiu tal ponto que acredito que, além de um trabalho de prevenção eficaz, campanhas de conscientização, educação nas escolas e comunidades, precisamos abrir os olhos para os casos que estão ocorrendo neste momento, só no jornal esta semana contei 4 bebês abandonados ou achados mortos. O trabalho de contenção é urgente e necessário, por conta disso concordo 100% com a implementaçao de uma medida similar à antiga Roda dos Enjeitados.

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