Zuzu Angel, uma luta por justiça

É engraçado como às vezes fazemos algo como a certeza do resultado, não é mesmo? Pois eu sabia que ficaria assim, triste e angustiada, após assistir o filme Zuzu Angel.Zuzu

Zuzu Angel foi uma estilista brasileira, mãe de três filhos, divorciada de um americano. Um de seus filhos, Stuart, engajou-se no movimento estudantil, que era considerado subversivo pela ditadura militar. Foi preso, torturado e morto. E seu corpo foi jogado ao mar.

SIM, isso aconteceu no Brasil.

Após essa tragédia, Zuzu fez muito barulho, por meio de desfiles-protesto, envio de cartas a intelectuais, entre outros, denunciando as prisões inconstitucionais e a tortura. Por causa disso, acaba perdendo a própria vida em um “acidente” de carro, só considerado assassinato nos anos 90.

O filme conta a história dessa mulher, e chega a ser chocante. As cenas ainda estão marcadas na minha mente, e eu nunca tinha visto antes uma sala de cinema inteira PA-RA-LI-SA-DA diante da telona, enquanto passavam os créditos. Uma platéia horrorizada e silenciosa, ouvindo com atenção a música composta por Chico Buarque para Zuzu:

Quem é essa mulher que canta
Sempre esse estribilho?
Só queria embalar meu filho
Que mora na escuridão do mar
Quem é essa mulher que canta
sempre esse lamento?
Só queria lembrar o tormento
Que fez o meu filho suspirar
Quem é essa mulher que canta sempre
o mesmo arranjo?
Só queria agasalhar meu anjo
E deixar seu corpo descansar
Quem é essa mulher que
canta como dobra um sino?
Queria cantar por meu menino
Que ele não pode mais cantar

– Angélica, de Chico Buarque (1977)

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E o que me deixa mais brava, no final, é pensar e ter a certeza que eu não teria coragem de ser uma ativista em uma situação desse tipo. Quando eu era menor, via os estudantes de cara-pintada nas ruas protestando contra Collor; eu queria estar lá, pedia pra minha mãe me levar.

Mas hoje acho que cresci no tamanho e na covardia. Eu não sairia mais às ruas, eu não enfrentaria regimes totalitários. Eu pegaria meus amados e minha familia, minhas malinhas e fugiria correndo.

Isso me faz lembrar uma cena do filme, que reproduz uma das frases de Zuzu:
“Eu não tenho coragem; meu filho teve coragem. Eu tenho legitimidade.”

Eu também não tenho coragem.
Mas sou mesmo muito grata porque pessoas como Zuzu e Stuart tiveram coragem (ou legitimidade) e puderam fazer do Brasil um lugar melhor (ou menos pior) pra se viver.

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