O Conflito entre Israel e Líbano: sofrimento de inocentes

Em 12 de julho desse ano aconteceu o estopim do conflito que vemos pelos noticiários hoje: o grupo terrorista Hizbollah deixa vários soldados israelenses mortos e seqüestra outros dois. Israel passa então a responder com ataques aéreos. Um dos primeiros alvos foi o aeroporto de Beirute, capital do Líbano, o que dificultou inclusive o resgate de brasileiros que se encontravam naquele país.

Não vou aqui discutir as razões do conflito, quem esta certo ou errado. Na verdade vou falar sobre o que aconteceu comigo: no momento em que vi o noticiário falando sobre o conflito, corri ao computador para tentar entrar em contato com meus primos, que moram no Líbano. Esses meus primos tem uma história curiosa: “encontrei-os” a menos de 1 ano.

Pude “conhecê-los”, meu primo e minha prima, pela internet: ele procurava pelo restante da família, que se dispersou pelo mundo, e colocou o nosso sobrenome no google. Logo me encontrou, e me mandou um email falando sobre a parte da família que se encontrava no Líbano.

Por fotos, pude conhecer meus priminhos, filhos deles, e por email meu avô pode manter contato com o primo dele (pai dos meus primos), que ele não via há anos. Desde então conversamos pela internet, em um parco porém entendível inglês.

E pelo que eles me contam, a coisa por lá não está muito bonita. Em uma das primeiras conversas que tivemos após o início do conflito, o marido de minha prima mandou-me a seguinte mensagem:

We are all ok, but the situation is very very bad… it is a real war, the
problem is that we are completely surrounded, no essentiel living elements
are coming in !!! especialy, stuff for babies, like milk and other…

(Estamos todos bem, mas a situação é muito ruim… é uma verdadeira guerra, o problema é que estamos completamente cercados, nenhum bem essencial está chegando até nós!! Em especial coisas para o bebê, como leite e outros…)

Já minha prima me deixou claro que tudo lá é bem instavel:

We are in a safe area until now! still HOME!
How are you all over there?? We are all fine here! Dad mom still in their house also me and T., F. and his family are ok! we live in a safe area…..till now….!

the super market are getting empty day after day……..fuel……..pharmacy…….gaz……..vegetables…….also…….

till now we can afford all our needs…………!!!!!???Waiting for better days!!!

(Estamos em uma área segura até agora! Ainda em casa! Como estão todos vocês por aí? Estamos todos bem aqui! Papai e Mamae ainda estão na casa deles e eu, T. e F. e família estamos bem! Vivemos em uma área segura… até agora!
O supermercado está ficando vazio – de alimentos- dia após dia… combustível… remédios… gasolina… vegetais… tudo… até agora podemos comprar tudo o que precisamos… Esperamos por dias melhores!!)

Mais tarde, para minha preocupação, meu primo também respondeu a minha mensagem:

…all of us are welll in a good health we are in safe place my wife and my daughter left yesterday to dubai am with my parents at their home,hope the peace will come soon…

(Todos nós estamos bem – em boa saúde -, estamos em uma área segura. Minha mulher e minha filha foram ontem para Dubai – capital dos Emirados Árabes – e eu estou com meus pais na casa deles. Espero que a paz venha logo…)

É triste ver como os civis sofrem com uma verdadeira guerra como essa. Em uma matéria do Estadão, são citados blogs e videoblogs de pessoas que estão dentro do Líbano, e isso é uma forma de mostrar a todo mundo que há muito mais do que uma simples notícia por trás de tudo isso. Que há vidas se escondendo em abrigos, que há pessoas com medo ali. PESSOAS INOCENTES.

Por enquanto, meu primo continua no Líbano com seus pais (ele acredita que a guerra deva acabar dentroAeroporto de Beirute em Chamas, apos ataque de Israel de uma semana), separado de sua mulher e filha; e minha prima se mudou para o Canadá com seu marido e filho. Deve ser muito triste para um cidadão ter de deixar seu país devido a um acontecimento desses. Deve ser infinitamente angustiante ter de deixar seu país deixando parentes para trás.
Eu mesma não posso fazer mais nada além de contar a minha história, e mostrar a minha indignação diante desse conflito. Mas quem pode, devia REALMENTE fazer algo.

E de preferência, rápido, para que não morram mais inocentes do que já morreram.

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14 opiniões sobre “O Conflito entre Israel e Líbano: sofrimento de inocentes

  1. Pra ser real, a angústia e a tristeza de deixar seu país acaba virando alívio dentro das tais circunstâncias.

    E infelizmente não adianta ser moralista, o que podemos fazer é conscientizar os outros. Sério. Se tem algo que o ser humano ainda não se conscientizou é sobre a guerra. Já se conscientizou da AIDS, da futura falta de água potável, do caralho a 4. Mas da guerra não.

    Eu mesmo sou um exemplo vivo disso, até algumas horas atrás eu sequer sabia o motivo do conflito entre esses dois países.

  2. Eu não consigo entender pq é preciso uma ação como a de Israel no Líbano, e ter que matar tantas pessoas inocentes para isso.
    Esta guerra tem causado muita indignação, não só aos envolvidos, mas em todos que desejam a liberdade de expressão, e a liberdade diante dos EUA.

    Gostei do seu Blog. Estarei por aqui mais vezes.

    abs

  3. Por acaso, alguma vez ouviu falar dos vários acordos ortográficos entre a Academia Brasileira de Letras e a Academia das Ciência de Lisboa, assim como as assinaturas que validaram desses acordos pelos governos dos respectivos países?

    Quando estudou não aprendeu nada sobre isso? Os seus professores não cumprem os programas de ensino de acordo com a legislação? Já sabemos que os políticos são quase todos corruptos por natureza, seja onde for, mas que significa para si um programa de ensino que despreze a legislação que lhe é referente?

    Assim, a Wikipédia se tornou no maioir lixo existente hoje na Internet.

  4. Acho de devo acrescentar algo.

    São verdadeiramente lamentáveis as desgraças que têm acontecido na sua família e na sua vida devidas a uma guerra estúpida. Donde o seu estado de alma é compreensível e é também lamentável que assim seja. No entanto, pelo que li no seu post, assim como nos comentários a ele relativos, parece que ninguém está realmente ao corrente da situação.

    Os acontecimentos actuais não tiveram início nestes últimos anos nem na década de 1980. Isso é o que o Bush nos diz todos os dias para nos enganar. Ele conseguiu fazer com que os cidadãos do seu país vivam no medo, no terror (não começou agora nem há pouco), a fim de que as suas propostas de armamento e de espalhar o terror pelo mundo fossem aprovadas e ele pudesse concretizar os seus instintos maléficos.

    Sobre todo este assunto, que já dura desde logo após Primeira Guerra Mundial, escrevi um pequeníssimo resumo que se pode ler no link directo que vou pôr em lugar da Página de Entrada (home page) do meu site. Espero que lá possam encontrar algumas explicações às vossas dúvidas, pois parece-me que são demasiado jovens para que os acontecimentos sejam do vosso tempo e as informações que actualmente circulam são 10% verdade e 90% mentira.

  5. Zé, desculpe se disse algo incoerente em meu post. Sei que os problemas do oriente médio vêm se arrastando desde a época da diáspora, quando os hebreus tiveram que sair de suas terras, terras estas que foram ocupadas pelos árabes palestinos e assim vai. Já li bastante sobre o assunto, tentando entender qual o real motivo de tanto conflito, e no final a única coisa que eu posso concluir é que se trata de imperialismo israelense. Nada contra judeus, nada a favor dos árabes, é apenas o que eu vejo; é como se quem não tivesse o que comer matasse quem tem comida pra saciar sua fome. Nada justo não é?

    Caso alguma passagem do meu post esteja equivocada, por favor contate-me para que, constatado o meu equívoco, possa atualizar as informações de forma correta.

    Att,

  6. Estimada Josephine,

    Agradeço a sua resposta no meu site, a qual publiquei. Sem ser editada, evidentemente. O site é ainda muito novo e não é um blog, mas sim um relato de acontecimentos passados, embora tenha alguns recentes, pelo que não se espera ver lá comentários. Para os recentes e para os comentários, vou iniciar um blog dentro de cerca de dois meses, mas não creio que lhe possa interessar, visto tratar quase só de política nacional (local), embora não exclusivamente.

    Acho que esta resposta deveria ser dirigida ao seu e-mail, mas não o encontrei. Para lhe responder, direi que não, não acho que tenha dito algo incoerente, acho que algumas discrepâncias se devam a falta de informação. Acredito que tenha lido bastante sobre o assunto. Não posso dizer que o que leu era ou não objectivo simplesmente por não saber o que leu. Todavia, deduzindo pela sua opinião, parece-me que o que leu não foi exactamente aquilo a que eu classificaria como objectivo e verdade histórica. O que de certo posso dizer é que se sente magoada com o que a sua família tem suportado e sofrido. É muito simpática e não tem que pedir desculpa por nada. O seu blog está bem recheado de escritos muito interessantes.

    Não posso escrever-lhe um relato completo, até que, para tanto, eu próprio deveria recordar coisas por mim esquecidas. No entanto, há alguns factos que eu considero mais importantes na história recente e julgo que todos deveriam saber. Eles estão todos na página do meu site que indiquei (Exodus.htm). São os seguintes.

    Israel aceitou as condições da formação do seu estado de acordo com o estabelecido pelas Nações Unidas, mas nunca o cumpriu.

    Israel nunca cumpriu praticamente nenhuma das resoluções das Nações Unidas.

    Israel apossou-se ilegalmente de terras dos vizinhos, chamou-lhes suas, expulsou os habitantes das suas terás ou colonizou e escravizou as populações. Construiu muros iguais ao muro de Berlim, mas muito maiores. Tem enclausurado o povo vizinho em campos de concentração, onde faz incursões frequentes unicamente para matar e destruir em actos de vingança selvagem, a mais pura selvajaria.

    Israel destrói tudo à sua volta e diz: “olho por olho, dente por dente”. Se todo mundo assim fizesse a terra estaria habitada apenas por cegos e desdentados. Todas as suas acções são movidas pelo espírito da vingança e jamais pelo sentido da paz ou da harmonia.

    Israel não quer paz sem primeiro ter garantido os roubos se territórios. Por isso que nunca se quer sentar à mesa com aqueles que defendem esses interesses. Quer que os seus roubos e actos e terrorismo sejam aprovados por estranhos ao assunto. Como chegar assim a qualquer acordo sem a aprovação dos interessados?

    Tudo isto tem acontecido sem qualquer tentativa de retenção pela única culpa dos Estados Unidos que tudo lhe têm permitido e aprovado.

    Estes acontecimentos têm gerado um ódio de morte contra os judeus e os EUA, que pode muito bem terminar mal para todos os lados. Por demais, os EUA, que foram os mais importantes colaboradores da resistência francesa quando esteve ocupada pela Alemanha Nazi durante a Seg. Guerra Mundial (a resistência francesa, dirigida pelo General Charles de Gaule, que se encontrava em Londres, era uma organização clandestina que fazia rebentar bombas por todo o lado onde havia alemães, tal como actualmente fazem os palestinos com os israelitas), condena agora um comportamento com o qual, historicamente, aprovou e colaborou ao máximo. Chamam agora terroristas indistintamente a todos os resistentes em todo o mundo. A tal ponto que transformaram o sentido da palavra, que passou a significar resistência.

    Na verdade, com todo o ódio que os EUA têm gerado e alimentado em todo o mundo neste sentido, além de continuarem a apoiar ditaduras, até é de admirar que não se tenham verificado mais atentados contra eles e contra os apoiantes da sua política.

    Em conclusão, a culpa da continuação tanto da guerra no Médio Oriente como do comportamento de Israel deve ser atribuída mais aos primeiros do que ao segundo. Quando Bush e a Condollezza dizem que querem uma paz duradoura estão a mentir descaradamente. Para eles a paz duradoura significa simplesmente a garantia da destruição para sempre dum povo em favor de outro.

    A paz só pode passar pela aceitação mútua, pelo cumprimentos das resoluções das Nações Unidas e por uma imposição de ambas as coisas com mão de ferro. Mais nada jamais trará a paz.

    Peço desculpa de ter escrito tanto no seu site, mas acho que o que se lê actualmente sobre o assunto é maioritariamente falso porque é esmagadoramente influenciado pela propaganda dos EUA. Experimente dar uma olhadela ao site da Palestina Livre. Mas há muito mais sobre o assunto, que escapa à influência dos EUA.

    Quanto à sua família, espero que em breve estejam reunidos e possam viver felizes e em verdadeira paz.

  7. Gostaria de sublinhar quase tudo que o “Ze Tonto” escreveu, o Hizbollah no fundo é uma é uma organização política e militar, que tem seguidores e um grande apoio da populaçao Libaneza, como tal nao pode ser visto como um grupo terrorista, usar isso como desculpa para uma guerra so dara mais força, porque o seu numero de seguidores aumentara, e nao é por acaso que na altura do ataque a Libano a Palestina foi intensamente bombardeada, aproveitando que atençao da imprensa internacional estava toda virada para o Libano.

    No entanto gostava de destacar o papel de Jacques Chirac – que, a poucos meses do final do seu mandato presidencial, está pessoalmente empenhado numa vitória diplomática da França no Líbano – pretende garantias do Governo libanês, do Hezbollah e de Israel de que os soldados franceses não venham a ser “espectadores impotentes e humilhados”.

    Para Chirac, continua a ser uma recordação incómoda o envio de capacetes azuis para a Bósnia, aquando da guerra em 1992-95. Recém-eleito em 1995, ele teve de ordenar operações ofensivas.

  8. Richard Cooper fala acertadamente. Sobre Chirac, os poucos que não sejam franceses que se possam recordas da sua carreira política, sabe que fora algumas podridões a que um político dificilmente escapa, dentro dessa podridão demonstrou sempre ser um homem honesto, íntegro e patriota.

    Ainda sobre a questão de se continuar a chamar terroristas a todos, a palavra perdeu o seu verdadeiro sentido e hoje significa resistente/i>. É assim, aliás, como os franceses há muito consideram. Nem de qualquer outro modo seria admissível. Para quem se recorde da primeira acção de Mitterrand logo após a sua tomada de posse como presidente, lembrar-se-á que foi uma homenagem a Jean Moulin, que foi uma das maiores cerimónias da República e que durou um dia inteiro. A cerimónia constou unicamente da homenagem prestada por François Mitterrand, como preseidente, e pelas Forças Armadas, em nome da França, ao túmulo do maior herói francês dos tempos modernos. E quem foi Jean Moulin? Foi um dos chefes da resistência francesa contra a ocupação alemã durante a Segunda Guerra Mundial. Na altura em que os alemães o apanharam e o fuzilaram (acto mais limpo que os assassinatos perpetrados por Israel contra o povo que massacram) era um dos chefes da resistência que como tal, em obediência ao General de Gaule e numa absoluta colaboração com os EUA, apenas se ocupava de fazer rebentar bombas por tudo que era lado em que estivessem alemães. Para Bush foi um terrorista. Quem quererá convencer aos franceses que o seu maior herói dos tempos modernos foi, afinal, um terrorista, segundo a mentalidade do bastardo Bush?

  9. gostaria de saber noticias da minha familia que se encontra no libano em beirute e misiara é a familia el bacha minha tia chama elizabete meu primo dany e norrade, perdi o contato e o telefone deles não tenho noticias se você puder me ajudar com posso entrar emm contato com eles através da internet

  10. Independentemente do que se possa pensar sobre o conflito israelo-árabe, acho que há assuntos colaterais ao tema que não deveriam merecer desentendimento. Vejamos.
    Sobre o Hezbollah, ser ou não uma organização terrorista, a mim parece muito óbvio que é. Quando num país um grupo de possoas se arma e organiza para controlar uma parte do território, quando essas pessoas se recusam a desarmar acatando a ordem que recebem nesse sentido do poder político democraticamente eleito, eles são, de facto, terroristas.
    Portanto, comparar o Hezbollah, partido libanês, existente no Líbano, organização armada e principescamente financiada pelo Irão, com a resistência à ocupação alemã pela França, é algo intelectualmente desonesto.
    Aproveito para dizer que a União Europeia, onde se inclui a mencionada França, têm o Hezbollah classificado como organização terrorista. A ONU também classifica o Hezbollah como orgamização terrorista, a par da Al Qaeda e de outras organizações violentas. Estará todo o mundo errado, exeptuando os fanáticos no poder no Irão e o ditador sírio?
    Já agora, vi por aqui mencionado que Israel não acatou decisões da ONU. Bom, desde logo há uma decisão da ONU que determina o direito à existência do Estado de Israel com os consequentes direitos de soberania e defesa. Essa decisão da ONU também deve ser acatada? O Irão e a Síria acham que não.
    Por fim, quanto aos direitos dos árabes, quero lembrar que os árabes que vivem em Israel têm direiro a voto, coisa não frequente nos países árabes onde muitas vezes não existem eleições, e, quando existem, já se sabe que só para ir votar no partido do poder.
    As mulhres árabes têm os mesmos direitos que os homens, o que inclui o divórcio, a educação, a herança em igualdade aos direitos dos homens. Estes direitos não existem em nenhum país muçulmano, logo, em nenhum país árabe. Quantos árabes israelitas abandonam Israel para irem viver em qualquer outro país vizinho? Pois, é isso mesmo, nenhum. E porque será?
    Um abraço amigo desde Lisboa.

  11. sebe…eu acho isso tudo uma grande desgraça…
    isso me deixa bastante triste…
    guerras,fome,sem-teto…
    os homens estão construindo coisas que estão nos matando aos poucos…tanto nós quanto a eles mesmos…os fabricantes dessas armas…
    ____

    cathymousse-*

  12. gostei de ter entrado neste site gostaria de receber mais informaçoes sobre o libano, especial ,beirut tenho amigos

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