Dom Quixote, a Fuvest e os adesiveiros de SP

Começaremos do começo: quem foi Dom Quixote?
A primeira referência que consegui ter, logo depois de terminar a prova de História da segunda fase da Fuvest foi de Raul Seixas nessa música, onde ele cita Dom Quixote num trecho da música:
“Don Quixote,
o cavaleiro andante
Luta a vida inteira contra
o rei”

Seria a suficiente para que a enrolação na questão de história fosse mais coerente.
Um cavaleiro que luta contra o rei já dava pra fazer um paralelo com o feudalismo e os ideiais de cavalaria. Uma pena eu não ter lembrado.

Dom Quixote é o herói da obra homônima de Miguel de Cervantes, que perde a “sanidade” de tanto ler romances, e passa a acreditar que é um cavaleiro destinado a reviver a era de ouro da cavalaria.

Mais recentemente, encontrei OUTRA referencia de Dom Quixote na atualidade: adesiveiros que estão adulterando as placas de sinalização em São Paulo, utilizam o nome de Dom Quixote.

Em seu “site oficial“, os adesiveiros explicam o que querem com esse tipo de manifestação:

“Projeto de intervenção urbana nas ruas da cidade de São Paulo, que tem por objetivo questionar a automação dos cidadãos e as infinitas proibições impostas sem qualquer discussão do espaço público. Segundo Kapra, informação é controle e no pensamento sistêmico (vide Teia da Vida), a informação não existe. É apenas poder de convencimento e aceitação. Utilizando as placas de trânsito como suporte artístico cria-se novas permissões, símbolos e significados que buscam a amplificação do olhar no condicionamento cotidiano.”

Essa ação é bastante compreensível nos tempos modernos, mas não há como saber que critério eles utilizam na hora de adesivar placas. Há de se pensar que caso eles encubram uma placa de “permitido estacionar”, não há um prejuízo muito grande da sinalização, ou mesmo que encubrar uma placa de “proibido estacionar”, o prejuízo seria uma multa. Mas caso estejam adesivando placas bastante necessárias, como “contra-mão”, ou “sentido obrigatório”, podem ser causados acidentes.

É preciso que se entenda que podem haver manifestações de arte, contanto que elas não venham a prejudicar a vida dos cidadãos.
O direito de arte de um termina quando começa a afetar o direito de vida do outro.

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