“Dinheiro, carinho e reza, nunca se despreza”

Leitura obrigatória do vestibular da Fuvest para 2006, Sagarana, de Guimarães Rosa, me surpreendeu.

Entre os diversos contos do livro, o que mais me entreteu e surpreendeu foi “A hora e a vez de Augusto Matraga.” Conta a história de Nhô Augusto, um fazendeiro cheio de convicções e machismo que vê sua vida desandar.

No caminhar da história, Nhô Augusto se torna pessoa boa e ajuda todos na nova cidade em que vai morar, e faz de tudo para o casal de pretos que o acolheu. Mas com a passagem do bando de Joãozinho Bem-Bem, algumas coisas mudam na idéia dele. Joãozinho Bem-Bem e Nhô Augusto se tornam bastante próximos, porém se enfrentam num muito bem descrito embate no final da história. Um morre pela faca do outro, e ambos felizes e honrados por isso.

O que me deixou fascinada na obra de Guimarães Rosa foi o neologismo muito bem utilizado, e a forma como ele mostra o falar regional. Deixa que o leitor tire suas próprias conclusões, de acordo com os seus princípios e visão dos fatos.

Outro conto muito interessante é dO Burrinho Pedrês. Não vou dizer que é confortável e fácil ler essa obra, mas que vale muito a pena vale. Faz também refletir sobre o que é a vida, o que é o amor, aonde estamos indo e o que realmente queremos pra nós mesmos e para os que estão ao nosso redor.

Vale bastante a pena ler. E, de preferência, adquirir um belo exemplar pra deixar visível na estante pra consultar de vez em quando. Porque Deus mede a espora pela rédea, e não tira o estribo do pé de arrependido
nenhum… (…) Não fique triste, de modo nenhum,
porque a tristeza é aboio de chamar demônio, e o Reino do Céu, que é o que vale, ninguém tira de sua algibeira, desde que você esteja com a graça de Deus, que ele não regateia a nenhum coração contrito.

Guimarães Rosa? Falou e “dito“.(sic)

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