Enfim, você entrou na faculdade. Largou aquele ritmo colegial, agora vai estudar algo que você escolheu. E, por algum (ou N) motivos, você está em um curso na área de humanas: letras, jornalismo, publicidade, editoração…
A verdade é que, até que consiga concluir a graduação, você não vai ter experiência em coisíssima nenhuma, a não ser que a sua faculdade tenha alguma publicação experimental ou empresa júnior. Se você acha que isso é besteira, deve rever seus conceitos. Muitas faculdades tem apresentado publicações experimentais, normalmente tocadas pelos alunos e supervisionadas por professores. Nesse tipo de atividade “acadêmica”, os alunos são encorajados a produzir conteúdo se preocupando com os limites que o meio impõe e com o retorno que ele proporciona, como críticas construtivas ou reações elogiosas.
Eu acredito que essa seja uma excelente iniciativa, partindo do princípio que a prática leva ao aperfeiçoamento. Além disso, trabalhar com prazos, limites, formatos e todas as restrições que são encontradas no escrever como profissão fazem com que a transição “universidade-mercado de trabalho” seja menos complicada.
Para participar de projetos experimentais na maioria das vezes basta ter vontade e comprometimento. Como é uma atividade extracurricular, ela não rende nota, não aumenta a sua média e não te ajuda em nada no meio acadêmico, a princípio. Digo a princípio porque são esses projetos que podem constar no seu currículo como realizações durante a sua graduação. Esse tipo de “extra” é que faz a diferença entre você e os outros graduandos da sua turma.
Esse tipo de iniciativa é comum em universidades públicas. A USP tem diversas publicações dos cursos de humanas, a maioria concentrada na Escola de Comunicação e Artes (ECA). Eu destaco o “Originais Reprovados“, revista literária de responsabilidade da turma de Editoração. Nela, os alunos enviam contos, crônicas ou poemas e eles são selecionados para comporem a edição impressa da revista.
Na Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC, também existem algumas publicações, dentre elas duas encontram-se online: a Revista Ponto e Vírgula e o portal acadêmico Cotidiano, ambos produzidos por alunos.
Na Unicamp ainda não existe nada nesse estilo, mas não por muito tempo: em 1º de abril desse ano estréia o Ambidestria, um projeto experimental do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), onde os alunos irão publicar colunas mensais com diferentes temas e em diferentes formatos. É uma forma de fazer com que, mais do que produzir textos acadêmicos, esses estudantes possam publicar conteúdo para a comunidade, visando também um maior aperfeiçoamento textual.
Em outras universidades, como a Cásper Líbero, Anhembi Morumbi e Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP), também são mantidos projetos experimentais com a participação dos alunos de graduação. O caso de sucesso da UNASP é o Canal da Imprensa, revista eletrônica mantida pelos alunos do curso de Comunicação Social. Com atualização quinzenal, o Canal da Imprensa é bastante temático e tem como foco a crítica de mídia. Existe desde 2001, mas só em 2002 ganhou as páginas web.
Publicações acadêmicas experimentais estão cumprindo com o dever moral de servir a comunidade com o conhecimento adquirido. E, afinal, é no mínimo interessante sair da faculdade com algum conhecimento prático sobre como escrever para diferentes públicos, com assuntos variados e meios de publicação diversos.
E a sua faculdade, tem algum tipo de publicação experimental? Se ela não foi citada, deixe registrado nos comentários!
[Esse post faz parte de um conjunto de publicações, a "Blogagem Inédita", idealizada por Edney Souza (o Interney) e realizada ao longo do dia 17 de março.]





Bem bacana… vou indicar esta postagem para os meus alunos.
Como aluna da Anhemi Morumbi devo deixar meu comentário. A Anhembi não tem projtetos experimentais bem bolados e atualizados como de muitas outras citadas acima. Nós temos um jornal chamado “O mundo Anhembi”, mas ele é totalmente institucional, não são alunos quem fazem as matérias. E o nosso site de jornalismo, é melhor nem falar… mas acredito que os alunos podem incentivar e realizar mudanças.